domingo, 25 de agosto de 2013

Ministro Padilha: 'Não venham ameaçar a saúde da população'


Brasília – O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lamentou as ações judiciais contra o Programa Mais Médicos. Ontem (23), a Associação Médica Brasileira (AMB) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) entraram com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender o programa. “O governo já ganhou todas as medidas judiciais. Temos muita segurança jurídica do que estamos fazendo. Quem quiser pode fazer sugestões para aprimorar, agora não venham ameaçar a saúde da nossa população que não tem médico. O que move o Ministério da Saúde é levar médicos aonde a população não tem médicos”, disse Padilha hoje, em Brasília, ao participar de um evento da campanha de vacinação infantil.

Ministro diz que governo tem segurança jurídica sobre programa, que começa hoje a receber os primeiros 400 médicos cubanos

Na petição, as entidades alegam que a contratação de profissionais formados em outros países sem que sejam aprovados no Exame Nacional de Revalidação de Diplomas (Revalida) é ilegal. “A medida retira dos conselhos regionais de Medicina a competência para avaliar a qualidade profissional do médico intercambista, na medida em que suprime a possibilidade de fiscalizar o exercício profissional por meio da análise documental para o exercício da medicina”, informa o documento.
As entidades ainda dizem que a medida do governo promove o exercício ilegal da medicina. “A pretensão do governo federal não garante políticas públicas de qualidade e tem o condão de permitir o exercício irregular e ilegal da medicina no Brasil, eis que é sabido de todos que não existe revalidação”. A ação é relatada pelo ministro Marco Aurélio Mello.
O programa foi alvo de cinco ações judiciais, três na Justiça Federal em Brasília e duas no STF. O Mais Médicos foi questionado pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) em mandado de segurança sob relatoria do ministro Marco Aurélio Mello. Além da ação de Bolsonaro, havia outro questionamento da Associação Médica Brasileira que foi negado pelo ministro plantonista Ricardo Lewandowski antes mesmo de ouvir as partes envolvidas.
O primeiro grupo de médicos cubanos que vêm para o Brasil trabalhar pelo Programa Mais Médicos chega hoje no Recife, às 13h55, e em Brasília, às 18h. Na capital federal, eles serão recebidos pelo secretário especial da Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Antônio Alves, no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek. O restante do grupo desembarca neste domingo (25) em Fortaleza, às 13h20, no Recife, às 16h, e em Salvador, às 18h, segundo o ministério. Ao todo, 644 médicos, incluindo os 400 cubanos, com diploma estrangeiro chegam ao Brasil até amanhã (25). Na sexta-feira (23), começaram a chegar os médicos inscritos individualmente em oito capitais.
Os profissionais cubanos fazem parte do acordo entre o ministério e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para trazer, até o final do ano, 4 mil médicos cubanos. Eles vão atuar nas cidades que não atraírem profissionais inscritos individualmente no Mais Médicos. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, rebateu as críticas das entidades médicas que questionam a formação médica dos cubanos.
“Entre hoje e amanhã chegam 400 médicos cubanos muito experientes e 86% deles têm mais de 16 anos de experiência em missões internacionais. Chegam para os 701 municípios que nenhum médico brasileiro ou estrangeiro escolheu individualmente. O ministério vai acompanhar a qualidade dos médicos cubanos. Por isso que nós exigimos que sejam médicos experientes, todos eles têm especialização em medicina da família e outros programas de pós-graduação”, disse.
Sobre as críticas de que os médicos cubanos vão receber menos (entre R$ 2,5 e R$ 4 mil) do que os outros médicos do programa, que vão ganhar R$ 10 mil ao mês, o ministro destacou que não é possível fazer comparação por serem realidade diferentes. “Os médicos cubanos têm uma carreira e vínculo permanente com Cuba, o fato de virem em uma missão internacional faz com que os salários deles aumentem, é um bônus no salário além da remuneração que vão ter aqui, diferentemente de outros médicos estrangeiros que vêm para cá [Brasil] e não têm emprego no país de origem”, disse Padilha.
“Esses médicos terão moradia e alimentação garantidas pelos municípios que assumiram o compromisso de participar do programa. O Ministério da Saúde vai acompanhar de perto as condições de vida desses profissionais para que tenham tranquilidade para atuar e atender bem a nossa população”, declarou. De acordo com o Ministério da Saúde, serão repassados R$ 10 mil por médico cubano à Opas, que fará o pagamento ao governo cubano. Em acordos como esse, Cuba fica com uma parte da verba.
Na segunda-feira (26), tantos os médicos inscritos individualmente (brasileiros e estrangeiros), quanto os 400 cubanos contratados via acordo começam a participar do curso de preparação, com aulas sobre saúde pública brasileira e língua portuguesa. Após a aprovação nesta etapa, eles irão para os municípios. Os médicos formados no país iniciam o atendimento à população no dia 2 de setembro. Já os com diploma estrangeiro começam a trabalhar no dia 16 de setembro.
O curso vai ter carga de 120 horas com aulas expositivas, oficinas, simulações de consultas e de casos complexos. Também serão feitas visitas técnicas aos serviços de saúde com o objetivo de aproximar o médico do ambiente de trabalho.

por Ana Cristina Campos, da Agência Brasil publicado 24/08/2013 14:03

da REDE BRASIL ATUAL

http://www.redebrasilatual.com.br/saude/2013/08/padilha-lamenta-acao-contra-mais-medicos-nao-venham-ameacar-a-saude-da-populacao-1251.html

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Rillo: Alckmin, a raposa, o galinheiro e o cartel


("Ele tem uma cara de bonzinho..." - anônimo)


por João Paulo Rillo

publicado em 14 de agosto de 2013 às 15:50

A empresa Siemens denunciou a prática de cartel em diversas licitações do governo paulista durante pelo menos 10 anos. As denúncias citam o governador Serra, como foi mostrado pelo jornal Folha de S. Paulo, e, pelo período que atravessou, ocorreu nos períodos de governo de Alckmin e Mário Covas, como bem mostra a revista IstoÉ na histórica capa sobre o “propinoduto”.
As denúncias sobre pagamento de propina para viciar licitações no caso Alstom e Siemens são de conhecimento público desde meados da década passada e, em 2008, chegaram em cheio ao Brasil, com inúmeros caso relatados pela imprensa na época, até com confissão de diversos autores desse esquema.
A bancada do PT entrou com 15 representações e o Ministério Público as arquivou, por não encontrar prova – os ministérios públicos suíço e alemão foram à Justiça e conseguiram, nesses países, a condenação dessas práticas.
No caso alemão, houve a condenação da empresa por propinas pagas de oito milhões de euros, que tinha a ajuda de donos de offshore brasileiras encarregadas de lavar o dinheiro e pagar a autoridades paulistas por trabalho fictício.
O cartel tem contratos de, pelo menos, R$ 30 bilhões que, segundo informações da Siemens na matéria daIstoÉ, foram firmados com superfaturamento de 30%, ou seja, chegaríamos a R$ 9 bilhões desviados, o que daria para fazer pelo menos 20 quilômetros de metrô ou passagem grátis por 4 anos nesse meio de transporte. Isso sem contar os quase 35 quilômetros de metrô que os tucanos deixaram de fazer por má gestão administrativa.
A bancada do PT pretende afastar cinco personagens: o atual presidente da CPTM, Mário Manuel Seabra Rodrigues Bandeira, com contratos e aditamentos julgados irregulares no valor de R$ 915 milhões; o atual Diretor de Operação e Manutenção, José Luiz Lavorente; Décio Tambelli, que cuida da PPP da linha 4 e das novas PPPs, como da linha 6, que movimentará mais de R$ 6 bilhões; Nelson Sclagioni, atual chefe no Metrô; e o atual Secretário de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernando Ribeiro Fernandes, que ocupou o mesmo cargo na gestão anterior do governador Geraldo Alckmin.
A revista IstoÉ traz, nessa semana, foto de Lavorente, Jurandir Fernandes e do lobista Arthur Teixeira, mostrando a proximidade desses personagens. Lavorente, Seabra Bandeira e Jurandir Fernandes foram responsáveis por contratos e aditamentos de contratos lá atrás e, se foram conivente ou não perceberam a ação do cartel lá atrás, não parecem preparados para exercer as funções que exercem hoje.
O governador afirmou aos jornais no dia 6 de agosto de 2013 que “não tem notícias da participação de agentes públicos na suposta formação de cartéis, mas garantiu que, se essa hipótese for confirmada, o servidor será punido. Alckmin disse ainda que não tem informações de que a Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos sabia do suposto esquema”.

João Paulo Rillo é deputado estadual (PT-SP)

do VIOMUNDO


Vários deles pedem “ditadura militar, já”



Operação 7 de setembro da direita


Com a chamada jornada de junho, a direita nativa ganhou coragem para ir às ruas – como atestaram várias cenas fascistoides contra as forças de esquerda

Em sua coluna de domingo (18), em O Globo, o “imortal” Merval Pereira deu a pista. Após expressar os seus temores com o julgamento do “mensalão do PT”, ele apostou suas fichas nas “grandes manifestações que estão sendo convocadas em todo o país para comemorar o Dia da Independência na visão da cidadania”.
Um rápido monitoramento na internet revelou de qual “cidadania” o jornalista gosta. Uma tal “Operação 7 de setembro” está sendo organizada com forte influência de setores da direita nativa.
Até o momento, segundo os organizadores, há 162 protestos agendados, incluindo todas as capitais. A mobilização não tem nada de “espontânea”. A página do grupo é bem profissional – com um vídeo incendiário, áudios e outros recursos multimídias. As bandeiras da “Operação 7 de setembro” explicam a alegria do colunista global: “prisão dos mensaleiros”; “fim do voto obrigatório” e “reforma tributária”, entre outras propostas que agradam tanto os setores conservadores da sociedade. 
Para os mentores dos protestos, a reforma tributária deve “desonerar a folha de pagamento das empresas, acabar com a contribuição do salárioeducação e parte da contribuição patronal para a Previdência Social”. 
Em dezenas de páginas no Facebook, a postura fascistoide dos organizadores da “operação” fica ainda mais explícita. Vários deles pedem “ditadura militar, já”; “fora os petralhas corruptos”; “fechamento do Congresso Nacional”. 
Há, também, mensagens progressistas por mais educação, saúde e justiça social, mas elas são minoritárias. No caso da convocação do ato para Brasília, alguns insinuam com provocações durante a parada militar do 7 de setembro. 
Com a chamada jornada de junho, a direita nativa ganhou coragem para ir às ruas – como atestaram várias cenas fascistoides contra as forças de esquerda. É bom ficar esperto!

por Altamiro Borges

do "Brasil de Fato"

http://www.brasildefato.com.br/node/23874

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Brasil ganha reconhecimento internacional na promoção da agricultura familiar



Dados recentes divulgados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) apontam que quase 870 milhões de pessoas no mundo passam fome. O número equivale a 12,5% da população do planeta. No Brasil, até 2011, ano de criação do Plano Brasil Sem Miséria, 16 milhões de pessoas estavam em situação de extrema pobreza. Desse total, quase a metade (47%) encontrava-se no campo. Cenário que começou a mudar. Em março deste ano, famílias nessas condições receberam complementação de renda do Bolsa Família para alcançar renda mensal de até R$ 70 por pessoa – condição socioeconômica para ser considerado extremamente pobre. Contudo, estima-se que 700 mil brasileiros ainda estejam em situação de miséria.
O 25º artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada pela Organização das Nações Unidas (ONU) há quase 65 anos, afirma que toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar saúde e bem estar a si e a sua família. Nesse quesito, a diretriz mundial inclui a alimentação como um dos pilares fundamentais resguardados. Não por menos, o desafio da erradicação da miséria e a segurança alimentar são assuntos presentes e constantes na agenda dos líderes mundiais. No Brasil, a preocupação não é diferente. Por aqui, o enfrentamento à fome segue alinhado às ações que priorizam a inclusão produtiva no meio rural, estratégia estabelecida pelo Plano Brasil Sem Miséria, ação interministerial do Governo Federal para erradicar a fome e a extrema pobreza. Entre as iniciativas que se destacam nessa área, está o Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA), articulado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).
Com dez anos de existência, o PAA já comercializou mais de quatro milhões de toneladas de alimentos oriundos de empreendimentos da agricultura familiar. O montante deve movimentar, até o fim de 2013, quase R$ 5 bilhões. Na avaliação do representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic, a agricultura familiar já é percebida no País como uma solução para desenvolver e manter a segurança alimentar e a erradicação da pobreza. “A agricultura familiar é um setor muito estratégico para o governo brasileiro. O Brasil, no contexto da América Latina, é o país que mais apresenta tecnologia social e instrumentos econômicos para fortalecer e, assim, sobreviver [dessa área].”
A operacionalização do programa consiste em comprar alimentos diretamente dos agricultores familiares, sem processo licitatório e com preços compatíveis aos praticados nos mercados regionais. Os produtos adquiridos com recursos do Governo Federal são encaminhados para entidades pertencentes às redes socioassistenciais – restaurantes populares, cozinhas comunitárias, bancos de alimentos – e para famílias em situação de vulnerabilidade social. Além disso,  o PAA funciona como um instrumento garantidor de maior estabilidade financeira às organizações de agricultores familiares por meio da modalidade de Apoio à Formação de Estoques. Essa modalidade permite que cooperativas e associações comprem alimentos dos seus  agricultores, agreguem valor a esses produtos e os comercializem  no momento mais propício em termos de preço, para mercados públicos ou privados. O programa é executado com recursos do MDA e do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), em parceria com estados, municípios e com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
A mudança na concepção do conceito de agricultura familiar e a construção de políticas estruturantes específicas para o desenvolvimento sustentável do setor no Brasil despertaram o interesse de países vizinhos.  “A agricultura familiar precisa ser preservada, precisa ter sustentabilidade, não somente ecológica, mas, também, social. Por isso, as políticas desenvolvidas no Brasil servem de modelo para outros países da América Latina e para a África. O PAA e o Pnae  [Programa Nacional de Alimentação Escolar], por exemplo, também estão sendo aplicados na África baseados nas políticas desenvolvidas no Brasil”, pontua Bojanic.
Incentivo à agricultura familiar
Além dos mercados de compras institucionais, o Brasil lança, a cada ano, um conjunto de políticas públicas simultâneas e permanentes para fomentar a organização econômica e a sustentabilidade no meio agrícola. Essa divulgação é conhecida como Plano Safra da Agricultura Familiar. Somente no último Plano, com vigência entre junho de 2012 a maio de 2013, a agricultura familiar contratou mais de R$ 19,2 bilhões em crédito rural por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), do MDA. O valor ultrapassou, pela primeira vez na história do programa, o montante disponibilizado inicialmente pelo Governo Federal para financiar as operações de custeio e investimento, que na safra 2012/2013 foi de R$ 18 bilhões.
As medidas do Plano incluem, ainda, recursos para apoiar o cumprimento dos serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), do Seguro da Agricultura Familiar (Seaf), do Programa de Garantia de Preços da Agricultura Familiar (PGPAF), do Garantia-Safra e, em especial, das atividades produtivas rurais das famílias incluídas no Plano Brasil Sem Miséria.
O esforço do governo brasileiro para desenvolver a produção familiar rural foi reconhecido internacionalmente. Em dezembro passado, a FAO afirmou, em seu boletim, que o Brasil se destaca por ser um dos países da América Latina e Caribe que mais apoiam a agricultura familiar por meio de programas públicos. Para Alan Bojanic, as políticas públicas implementadas no País caminham para desenvolver e manter a segurança alimentar. “Esse objetivo, sem dúvida, é o coração dessas propostas. O fortalecimento da agricultura familiar também tem uma conotação social muito importante, ele está associado a um tema cultural. Logo, fortalecer a agricultura também é uma forma de preservar a cultura, tem uma dimensão além da econômica. O dinheiro está sendo canalizado para proteger, também socialmente, os cidadãos das áreas rurais, que estão vulneráveis. E os exemplos do Nordeste brasileiro são muito visíveis desses círculos virtuosos quando se tem políticas sociais”, finaliza.
Aliança latina
Em fevereiro de 2013, a FAO anunciou a parceria com os países do Mercosul para promover a agricultura familiar. A cooperação foi firmada durante a Reunião Especializada sobre Agricultura Familiar do Mercosul (Reaf), em Santiago, no Chile. A união das organizações vai apoiar agricultores familiares da Argentina, Brasil, Chile, Paraguai, Uruguai e Venezuela – responsáveis por gerar mais de 70% do emprego na área agrícola na América Latina e Caribe.
“Os processos de integração no Mercosul estão ocorrendo cada vez com mais força. A aliança vai estruturar, justamente, como ter políticas harmonizadas e conjuntas para atender os agricultores familiares de todo o Mercosul. Serão iniciativas com repercussão nas economias nacionais, como nos processos de integração na área agrícola, facilitação do comércio e o controle das doenças, em uma perspectiva regional”, explica Alan Bojanic.
A cooperação será realizada no âmbito do Fundo de Agricultura Familiar do Mercosul, uma ferramenta criada pelos países do bloco. 

PAA e a alimentação animal
O lançamento do Plano Safra Semiárido, anunciado em julho deste ano, trouxe mais um novidade para os agricultores familiares que acessam o PAA. A partir de agora, as modalidades de compras do programa incluem a aquisição de forrageiras, mudas e sementes – uma alternativa para preparar os agricultores para enfrentar os efeitos da estiagem no Semiárido brasileiro. Com isso, os produtores que tenham excedente de forragem (como a palma forrageira) poderão vendê-lo por meio do PAA. O limite de venda por agricultor é de R$ 8 mil por ano.
do Portal do Ministério do Desenvolvimento Agrário 
Roberta Paola 
(61) 2020 0262/ (61) 2020 0222 
imprensa@mda.gov.br

domingo, 11 de agosto de 2013

CASO SIEMENS DESMORALIZA DE VEZ A MÍDIA ENGAJADA



O editorial de Veja desta semana, do jornalista Eurípedes Alcântara, é um monumento ao cinismo. Nele, o diretor da revista afirma: "Há indícios, mas não provas". No texto, diz que "ao escândalo Siemens no Brasil faltam evidências sólidas" e diz que "tanto quanto as autoridades, os repórteres de Veja as estão buscando" (pausa para gargalhada). Antes dele, Merval Pereira havia lamentado a corrupção no PSDB e Reinaldo Azevedo afirmou que a teoria do domínio do fato não poderia ser aplicada a tucanos como Andrea Matarazzo. Essa cautela, evidentemente, jamais existiu em relação aos adversários políticos dessa mesma imprensa, que eram criminalizados ainda enquanto réus. O que demonstra que a ética se transformou, no Brasil, em instrumento de guerra política e comercial
Nunca foi tão fácil enxergar o cinismo, a desfaçatez e a hipocrisia da imprensa brasileira. Bastou que um escândalo atingisse seus aliados políticos tradicionais, para que essa postura viesse à tona. Do escândalo Siemens, emerge uma mídia que opera com dois sistemas métricos distintos: um para os amigos, outro para os adversários.
De todas as peças produzidas até agora, a mais cara de pau é o editorial de Veja, assinado por Eurípedes Alcântara. "Há indícios, mas não provas", diz o diretor de Veja. No mundo da Editora Abril, os olhos estão fechados para os emails da Siemens e da Alstom que falam em licitações combinadas e até em propinas para grão-tucanos como Robson Marinho, ex-secretário da Casa Civil, e Andrea Matarazzo, figura próxima a Mario Covas, José Serra e Fernando Henrique Cardoso.
No mundo de Veja, não existem provas, apenas indícios, mas há três anos a imprensa noticiou o bloqueio de uma conta na Suíça atribuída a Robson Marinho, braço direito de Mario Covas, cujos recursos seriam provenientes da Alstom (leia aqui reportagem do Estado de S. Paulo). Documentos agora revelados – e ignorados por Veja – falam que a propina da Alstom cobriria RM (Robson Marinho), o partido (o PSDB) e a Secretaria de Energia (ocupada, à época, por Matarazzo).
Como Eurípedes sabe que empresta sua pena a um argumento indefensável, ele praticamente dá um piti, no seu editorial. "A esta altura, porém, não há como esquecer que o PR, o PTB, o PMDB e, claro, o PT acostumaram o Brasil a um padrão de escândalos tão abundantes em provas e com enredo tão ousado quanto primário que é impossível ser igualado. São dólares na cueca, mansão cheia de prostitutas em Brasília, Land Rover, jatinhos, governo paralelo montado em quartos de hotel, balcão de negócios dentro do Palácio do Planalto, filme de corrupto embolsando dinheiro, confissão, drama, condenação à prisão pelo STF – só não tem arrependimento".
O que ele não afirma é que o padrão do metrô supera toda a sua descrição. Mais sofisticados, os tucanos operaram com empresas internacionais, indicaram a elas que empresas deveriam ser subcontratadas e, em alguns casos, como parece ser o de Robson Marinho, apontaram as contas no exterior que deveriam receber os recursos.
Diante das evidências, cai por terra o argumento de que a imprensa brasileira representa "os olhos e ouvidos da ação". Veja, por exemplo, é claramente caolha. Só enxerga o lado que interessa. Mas não está só. Antes dela, o colunista Merval Pereira lamentou a corrupção tucana e se apressou em inocentar o ex-governador José Serra (leia aqui). Reinaldo Azevedo deu um chilique e afirmou que a teoria do domínio do fato, usada pela Polícia Federal para indiciar Andrea Matarazzo e pelo Supremo Tribunal Federal para condenar José Dirceu, não poderia ser aplicada ao político tucano (leia aqui).
Ora, se a mesma cautela fosse aplicada aos adversários dessa mesma imprensa, o julgamento mais emblemático dos últimos anos teria transcorrido de forma bem menos turbulenta. No entanto, se para os amigos as provas podem ser transformadas em indícios, para os adversários os indícios também podem ser convertidos em provas. Além disso, essa mesma imprensa que faz da ética seu cavalo de batalha se julga no direito de colocar a faca no pescoço de juízes – como Veja faz nesta semana em relação a Ricardo Lewandowski (leia aqui) – para defender seus interesses políticos, que, na prática, são interesses comerciais.
Pobres dos juízes e procuradores que se deixam manipular por uma imprensa partidária, seletiva, autoritária e, agora, totalmente desmoralizada.
PS: o editorial de Eurípedes termina com a piada do ano. "Ao escândalo Siemens faltam evidências sólidas. Tanto quanto as autoridades, os repórteres de Veja as estão buscando".
Podem rir à vontade.
do Brasil 247
por Mastrandea

OS "COXINHAS"


Lá vem, lá vem, um montão de pomposos revoltadozinhos, todos brancos
Recrutados entre a elite, a classe “mérdia” com suas medíocres vidazinhas
Falsos, reclamam de Vinte Centavos, ensaiam pose a trancos e barrancos
(Os pobres, os necessitados e operários estão dos outros lados das linhas)
São os criticozinhos-daslu agora popularmente tachados de ‘COXINHAS’

Lá vem eles com seus energéticos caríssimos, de marca, todos importados 
Com seus belos frascos de sprays comprados em Miami ou em Cancun
São riquinhos em revoltas; em shopping classe A muito bem orquestrados
Afinal ser do contra agora está na moda, virar critico não faz mal nenhum
São ricos Coxinhas com grife, todos em pose, bem vestidos, marombados

Bandeiras do Brasil, Hino Nacional Brasileiro, belas faixas e caros cartazes
Volta e meia ouvimos cantar os reacionários, um bando em antro de galinhas 
São moças com caríssimas mochilas; estão todos bem vestidos os rapazes
Marcham se como um exército de burgueses – soam como se aves daninhas
São os filhotes diferenciados do Morumbi, são os babaquaras... Coxinhas

Não, o miserável salário mínimo de antes... não é mais aquele que antes era
E nem de longe é tão alto o risco Brasil, o dólar, sequer é alta a inflação
Nem há aquela dívida externa da herança maldita, vivemos a primavera
Tudo soa muito montado, vaidoso, artificial, de fachada pra atiçar alguma fera
E o povo, o povão mesmo, tachou a caterva rica baderneira de Coxinha então

São Paulo o estado mais corrupto do Brasil, que foi refém do crime organizado
Sucateou, quebrou e vendeu o estado público a preço de banana, privatarias
Por que afinal de contas marcham esses Coxinhas; essa manada, gordo gado
Tramaram na Disneylândia ou no Guarujá essas montadas novas patifarias?
Coxinhas marcham sem saber pra onde e valem-se da mídia suja e todas vias

Um depreda, outro rouba, assalta, outro com máscara de Anônimus saqueia
Outro mané brada “Fora Dilma” - outro ainda xinga a senhora Presidenta 
Dezoito anos de um governador banana que com a mídia amoral tapeia
Mas segue a passeata montada agregando alguns coiós na marcha lenta
Coxinha não cabe em si de falso orgulho; o protesto por si só não se sustenta

Mas a mídia corrupta e amoral elogia. Alvoroça os despolitizados baderneiros
Posam de vitimizados; com seus jargões furados e brados jecas em ladainhas
Filhinhos reacionários e tapados de pais corruptos e ladrões do fisco vezeiros
De sobra o filhote rico feito garnisé de briga sem causa, todos falsos, criticazinhas
No Estado mais rico do Brasil, estado mais corrupto do Brasil, são os COXINHAS

Os pobres, os pobres mesmo, ah eles estão surpresos, estão sondando, assustados
Com os ônibus urbanos logo pelos Coxinhas saqueados, alguns até incendiados
São jovens janotas e boçais berrando, de Samparaguai os criticozinhos-daslu 
O Estado máfia com hienas ricos do Morumbi, de Higienópolis, do Pacaembu
Aquilo não é paralização por nada, é desfile de grifes que mais parece rende-vous

Tentam fazer terrorismo rastaquara, querem derrubar o metalúrgico ex-presidente
Moram em casamatas com guaritas e mansões em Moema, tais amebazinhas
Agregam idiotas, estudantes, párias, vagabundos, no embalo vai muita gente
Vão na contra corrente, não são nem trabalhadores legais, são os Coxinhas
Vagabundos, reacionários, como se desfilassem num presépio, vaquinhas...

Vão e vem, os novos integralistas de São Paulo, o Estado Máfia, verdes galinhas
Reacionários às pencas, juventude fascista, algum com coquetel molotov armados
Inocentes inúteis, rebeldes sem causa, medíocres, riquinhos quase todos alienados
São agora massa de manobra da extrema-direita, os antitudo agora, os tapados
No bom português da paulistada, curso e grosso são os endinheirados COXINHAS!


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Cyber Poeta Silas Correa Leite
www.portas-lapsos.zip.net
E-mail: poesilas@terra.com.br
(Poema da Série: “O Gigante Não Acordou Agora, os Anões de Jardim é que Estavam na Disneylândia Comprando Fantasias de Patetas)


por Mastrandrea

O drible da vaca de Lula

texto de 27/06/2010
O que se pode esperar de um homem que foi preso e tratado como bandido por querer organizar sua categoria de trabalhadores e reivindicar salários mais justos? Que aprendeu neste processo, que para mudar seu destino e o de milhões iguais a ele, deveria entrar num campo de batalha maior, para alcançar os instrumentos transformadores? Que, depois de 4 tentativas, chegou enfim, ao cargo que o habilitava a mudar a sorte de milhões de pessoas? Que passou os últimos 8 anos sendo emboscado para perder o cargo que conquistou democraticamente? 
Esperam-se deste homem três coisas fundamentais: sabedoria, coragem e determinação. Obrigado a socar facas na convivência diária com seus inimigos, Lula adquiriu intimidade e sabedoria para prever-lhes cada movimento, cada idéia e cada motivo. Subverteu sua democracia fajuta (que oferecia ao povo sempre os mesmos candidatos, comprometidos com os interesses dos mesmos grupos) reinventando seu conceito mais sagrado: o governo do povo, pelo povo e para o povo. Assim, os excluídos passaram a ser justamente os que não precisam do estado nem de governo.
A única ausência que as elites conservadoras realmente sentem é a de um presidente almofadinha, como FHC, que dava entrevistas em inglês ou francês, negando sua língua natal, como se as únicas fronteiras existentes no mundo fossem as que separam pobres e ricos. De resto, além do seu partido, outro grupo que rola ladeira abaixo é a velha mídia. A Globo e os impressos de sua “tchurma” se contorcem como um doente terminal que prefere morrer inteiro a amputar uma perna gangrenada.
Lula, escolado depois participar de 5 eleições, deu o drible da vaca nos seus opositores e teve a perspicácia de planejar sua sucessão na ponta do lápis. Imagino aqui, com meus botões, como foi o momento em que visualizou Dilma como sua sucessora. Contra o Serra, o óbvio mais raso, viu uma mulher forte, de uma vida pública limpa, braço direito de um governo que consolidava seu sucesso junto à maioria da população. Previu e pesou os argumentos possíveis que a direita reuniria contra ela: mulher não tem pulso forte, jamais participou de uma eleição, não tem experiência gerencial, foi guerrilheira, é comunista comedora de criancinhas, arrogante e agressiva. Planejou como o eleitorado, velho conhecido seu, entenderia estas acusações: mulher não tem pulso forte? Machismo da classe média. Jamais participou de uma eleição? Melhor, não tem os cacoetes de político profissional. Não tem experiência gerencial? PAC neles! Guerrilheira? Batalhadora. Comunista comedora de criancinhas? Conta outra. Arrogante e agressiva? Lidar com o universo machista da política não pode ser na base da meiguice.
Não é Lula que propõe o plebiscito. São os candidatos que se apresentam e as forças políticas que representam, que fazem o processo convergir para o “Sim” ou “Não”. Lula apenas anteviu de longe o que estava por vir e armou seu contra-ataque certeiro. Não se trata também de se perpetuar no poder. Ditadores sanguinários e reis se perpetuam sem nada realizar pelo seu povo. O PSDB deita e rola em São Paulo há 16 anos e TODOS os índices mostram que a vida do paulista piora ano após ano. E não é este o caso do resto do país como os índices não cansam de mostrar. Trata-se, aqui, de dar fôlego a um projeto de reformas, que não cabe em 2 mandatos. Um país de proporções continentais, que passou 500 anos sob um modelo escravagista, não se reforma em 8.
Na educação, por exemplo – universidades federais, extensões, escolas técnicas, Pró-Uni, sistema de cotas etc. – todas estas ações vão frutificar nas próximas gerações. Na infra-estrutura, obras direcionadas ao crescimento nas regiões menos desenvolvidas do país vão se consolidar ao longo da próxima década. Assim como os recursos do Pré-Sal que, administrados de forma soberana, e destinados à educação, cultura e ciência. E quanto ao Brasil no plano internacional? O fortalecimento do Mercosul, vital para o continente; as relações bilaterais com a África, Ásia e Oriente Médio; o papel da nova diplomacia brasileira…
Outro ponto fundamental, que não pode perder o foco, é a agregação de outros setores da sociedade a novos meios de comunicação. E essa é uma das razões pela qual os atuais grupos midiáticos centram seus ataques em Dilma e no PT. Acusam o governo de planejar “suprimir-lhes” a liberdade de imprensa – quando, em verdade, deseja apenas construir meios de proteção para si próprio e para a sociedade contra sua artilharia golpista. Os resultados da Confecom – discutidos com um amplo espectro da sociedade e o PNBL – representam construções profundas, que, a médio prazo, devem se contrapor aos atuais monopólios midiáticos.
Tudo isso, enfim, jamais poderia cair no colo de alguém que foi concebido em vídeo e que anda entre anúncios das Casas Bahia e capítulos da novela das 9. Um fraco de espírito, descompromissado com o país e seu povo, que carrega um trem de ego nas costas e que é capaz de servir a quaisquer interesses em troca de bajulação em publicações como Caras e Veja. Enquanto Serra pulava de galho em galho como um selvagem esfomeado, sem cumprir mandatos ou deixar qualquer rastro de benefícios à sociedade, Lula preparava-lhe a cama onde irá dormir até a próxima janela eleitoral. E não há factóides, golpismo barato ou dossiês que mudem-lhe o destino. Aliás, Serra é um dossiê ambulante de si mesmo. Claro, de Quem mais seria?


por Mastrandrea

domingo, 4 de agosto de 2013

Propinão tucano no metrô surrupiou R$ 1,9 bilhão dos cofres públicos



Deu no jornal Estadão que no escândalo do propinão tucano no metrô, o dinheiro surrupiado dos cofres públicos através do superfaturamento chegou a R$ 1,925 bilhão (em valores atualizados), somando os rombos em São Paulo (governos Alckmin e Serra) e no Distrito Federal (governos de Joaquim Roriz e José Roberto Arruda).

Superfaturamento de cartel do trem em SP e no DF teria chegado a R$ 577 mi

Governos teriam gastado 30% a mais em cinco licitações alvo de fraudes, de acordo com documentos obtidos pelo Estado; primeiro contrato dividido entre empresas do setor metroferroviário teria sido o da Linha 5-Lilás do Metrô

Os governos de São Paulo e do Distrito Federal podem ter gastado até 30% a mais, ou R$ 577,5 milhões, em cinco contratos suspeitos de serem alvo de cartel entre empresas nacionais e estrangeiras do setor metroferroviário. A suposta fraude foi denunciada pela alemã Siemens ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Documentos obtidos pelo Estado mostram que, com o esquema, esses contratos chegaram a R$ 1,925 bilhão (em valores atualizados).

O Estado procurou as empresas, mas só nove das 20 se manifestaram. Em nota, a Siemens informou que, desde 2007, faz esforços para aprimorar sua administração e coopera integralmente com as investigações. Ao todo, 44 executivos - de presidentes a gerentes - de empresas de 11 países foram acusados de participação nas tratativas mantidas para impedir que a disputa dos contratos levasse à prática de preços menores do que os oferecidos pelas empresas.

De acordo com documentos da Siemens a que o Estado teve acesso, o grupo se considerava blindado por pelo menos um de seus contratantes: a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). A suspeita é de que agentes públicos tenham recebido propina das empresas para fazer vista grossa ao cartel durante os governos dos tucanos Mário Covas (1995-2001), Geraldo Alckmin (2001-2006) e José Serra (2007-2010).

Os papéis da Siemens mostram que um de seus executivos manteve um diário no qual escreveu, em 8 de julho de 2002: "Enquanto a Alstom mantiver seu preço acima do preço da Siemens, e a CPTM bloquear qualquer ataque, a Siemens será vencedora." Trata-se de referência direta à negociação para a divisão entre as empresas dos contratos para a manutenção de trens S2000, S2100 e S3000.

Além deles, a lista de licitações viciadas inclui o fornecimento de material para a Linha 2-Verde do Metrô no trecho Ana Rosa-Ipiranga, para a Linha 5-Lilás no trecho Largo 13-Santo Amaro, para a manutenção dos trens s2000, s2100 e s3000, para a manutenção de trens do projeto Boa Viagem (CPTM, contrato de R$ 276 milhões) e para a manutenção de trens do Distrito Federal. Em um sexto caso - a manutenção de trens dos projetos 320 e 64 da CPTM -, a ação do cartel só não deu certo porque a espanhola CAF, uma das acusadas, não chegou a um acordo, ganhando as licitações com preço menor.

Funcionários. A ação do cartel ainda se estendeu aos contratos da Linha 4-Amarela do Metrô. O acerto entre as empresas começou depois de a Siemens conseguir contratar dois funcionários da multinacional francesa Alstom.

Segundo documento da Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do Ministério da Justiça, os dois funcionários "possuíam formação técnica relacionada a serviços de manutenção de trem e metrô e, à época da licitação, trabalhavam na manutenção do Metrô DF, serviço que era prestado pela Alstom, IESA E TCBR". Como o edital exigia "que o licitante vencedor apresentasse qualificações", que eram detidas pelos dois funcionários, a Alstom teve de entrar em acordo com a Siemens. Em troca, a empresa alemã seria subcontratada nos trechos 1 e 2 da Linha 4.

O acordo entre as empresas previu que dois consórcios disputassem o contrato. Deveriam oferecer preços entre 94,5% e 95% do valor previsto pelo governo do Distrito Federal. Quem vencesse subcontrataria o perdedor em até 48% do contrato, que ficou na época em R$ 77,3 milhões (R$ 103,4 milhões atuais).

Acertos. Além de e-mails e do diário do executivo da Siemens, o Cade, os procuradores da República e os promotores do Ministério Público Estadual têm em mãos os depoimentos de seis executivos da empresa alemã, que confessaram a prática de cartel de 1998 a 2008.

O primeiro contrato dividido entre as empresas foi o da Linha 5-Lilás, contratado pela CPTM. O acerto entre elas foi feito em reuniões no escritório da Mitsui e da TTrans, em São Paulo. Entre os dias 1.º e 6 de junho de 2000, formou-se o consórcio Sistrem. Ele reunia todas as empresas que haviam sido pré-qualificadas pela CPTM para fornecer o material ferroviário ao governo. As empresas decidiram quais os preços que cada uma apresentaria.

Assim também foi feito na primeira licitação de manutenção de trens: os vencedores foram o consórcio Cobraman (Alstom, a canadense Bombardier e a CAF), que obteve o contrato para os trens S2000; a Siemens (trens s3000); e o consórcio Consmac (s2100), formado por Alstom e CAF, que subcontratou a Bombardier, a japonesa Mitsui e a chilena Temoinsa.


do "Blog do Saraiva"



quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Feitiço contra feiticeiros no STF



Às vésperas da retomada do julgamento da Ação Penal 470, quando o STF irá examinar os recursos dos 25 condenados, o ambiente no tribunal é descrito da seguinte forma por Felipe Recondo e Debora Bergamasco, repórteres do Estado de S. Paulo, com transito entre os ministros: 

“(...) há ministros que se mostram “arrependidos de seus votos” por admitirem que algumas falhas apontadas pelos advogados de defesa fazem sentido. O problema (...) é que esses mesmos ministros não veem nenhuma brecha para um recuo neste momento.
Pois é, meus amigos. 
Após quatro meses de espetáculo pela TV, a notícia é que alguns ministros do STF estão com medo. Não sabem como “encontrar um meio termo entre rever parte de seu voto sem correr o risco de sofrer desgaste com a opinião pública.”
É preocupante e escandaloso. 
Não faltam motivos muito razoáveis para um exame atento de recursos. Sabe-se hoje que provas que poderiam ajudar os réus não foram exibidas ao plenário em tempo certo. Alguns acusados foram condenados pela nova lei de combate a corrupção, que sequer estava em vigor quando os fatos ocorreram – o que é um despropósito jurídico. Em nome de uma jurisprudência lançada à última hora num tribunal brasileiro, considerou-se que era razoável “flexibilizar as provas” para confirmar condenações, atropelando o direito a ampla defesa, indispensável em Direito. Centenas de supressões realizadas pelos ministros no momento em que colocavam seus votos no papel, longe das câmaras de TV, mostra que há diferença entre o que se disse e o que se escreveu. 
O próprio Joaquim Barbosa suprimiu silenciosamente uma denuncia de propina que formulou de viva voz, informação errada que ajudou a reforçar a condenação de um dos réus, sendo acolhida e reapresentada por outros ministros. 
Eu pergunto se é justo, razoável – e mesmo decente – sufocar esse debate. Claro que não é. 
É perigoso e antidemocrático, embora seja possível encher a boca e dizer que tudo o que os réus pretendem é ganhar tempo, fazer chicana. Numa palavra, garantir a própria impunidade. 

Na verdade estamos assistindo o processo em que o feitiço se volta contra o feiticeiro. E aí é preciso perguntar pelo papel daquelas instituições responsáveis pela comunicação entre os poderes públicos e a sociedade – os jornais, revistas, a TV. 
O tratamento parcial dos meios de comunicação, que jamais se deram ao trabalho de fazer um exame isento de provas e argumentos da acusação e da defesa, ajudou a criar um clima de agressividade e intolerância contra toda dissidência e toda pergunta inconveniente. 
Os réus foram criminalizados previamente, como parte de uma campanha geral para criminalizar o regime democrático depois que nos últimos anos ele passou a ser utilizado pelos mais pobres, pelos eternamente excluídos, pelos que pareciam danados pela Terra, para conseguir alguns benefícios -- modestos mas reais -- que sempre foram negados e eram vistos como utopia e sonho infantil. 
(A prova que se queria criminalizar o sistema, e não corrigir seus defeitos, foi confirmada pelo esforço recente para sufocar todo esforço de reforma política, vamos combinar). 
No mundo inteiro, os tribunais de exceção consistem, justamente, num espetáculo onde a mobilização é usada para condicionar a decisão dos ministros. 
Morte aos cães!, berravam os promotores dos processos de Moscou, empregados por Stalin para eliminar adversários e dissidentes. 
Em 1792, no Terror da Revolução Francesa, os acusados eram condenados sumariamente e guilhotinados em seguida, abrindo uma etapa histórica conhecida como Termidor, que levou à redução de direitos democráticos e restauração da monarquia. 

No Brasil de 2013, a pergunta é se os ministros vão render-se ao medo.

Por Paulo Moreira Leite