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sábado, 16 de abril de 2016

E o STF se ajoelha diante de Cunha.

Comentário ao post "O jurisdiquês como forma de contornar a lógica"
Caramba! Mas o que que foi aquilo, hoje (14)? Mais de cinco horas discutindo as tretas do réu mais poderoso da Casa. De saída fiquei meio confusa, porque o STF já tinha decidido essa questão e o rito seria o mesmo de 92; aí saíram com esse papo de uma lei nova estaria regulando a votação e aí começou o rolo.
O que era pra ter acabado em segundos como voto do min. Marco Aurélio Mello, e, no máximo, fazendo a votação por ordem alfabética que deixaria tudo simples e resolvido. Mas o problema era o de sempre: Cunha; ninguém queria contrariar Cunha. todos os ministros menos Lewandowski e MAM, estavam irreconhecíveis. Pareciam pisar em ovos e muito mais empenhados em encontrar uma solução que não desagradasse Cunha do que em julgar a ADI e os Mandados de Segurança.
A coisa embolou porque todo mundo queria dar um jeito que fugisse da ordem alfabética que Cunha não queria pq não haveria como manipular a votação para produziro efeito manada; o problema é que fora da ordem alfabética tudo ficava confuso, porque Norte e Sul, excluem Centro-oeste e aí aquela coisa de mais ao norte ou mais ao sul, latitude das capitais, etc... venciam um problema e aparecia outro, ia ser por bancada, por deputado, por estado, alternado ou não... Enfim, uma loucura que se Eduardo Cunha cumprisse as decisões do STF teria sido evitada.
Porque o rito já estava definido e a verdade é que Cunha pouco se lixou pra decisão da Corte e mudo meu nome se ele vai começar essa votação pelo Norte no domingo. Ele vai fazer o que quer. O que aconteceu no STF, hoje, foi muito estranho. Parecia que, apenas MAM, Gilmar Mendes e Lewandowski tinham a real noção do estava em jogo.
GM, por óbvio, lutando por seu grupo golpista, junto como PGR e os outros dois fazendo o que dava. O resto, completamente aparvalhado, falando coisa demais embolando teses, não entendendo, explicando, de novo.. Quando tudo parecia terminado com o encerramento da ADI, entram mais 2 MS sobre o mesmo tema e começa tudo outra vez.
O Efeito Cunha na Corte foi devastador. Pra se ter uma ideia, um tema brabo desses e nenhum conflito, discussão ou debate mais acalorado. GM ainda arriscou um cacarejo mas engoliu. A paz de Cunha baixou na Corte e GM nem teve espaço para fazer palanque grande. Palanquinho, ele sempre faz mas hoje, era esperado um palancão, pois o maior bandido da República estava sendo questionado na mais Alta Corte de Justiça do País que, depois de meses se perguntando onde estaria o STF que não travava Cunha, dá de cara com uma resposta que causa mais indignação que a postura de Eduardo Cunha.
O STF não barrou Cunha esse tempo todo, simplesmente porque Cunha não estava fazendo nada demais. É um homem Santo,  tá limpo como dizem aqui na minha cidade, tá na lei... o resto do país é que enlouqueceu. Cunha não manobrou, não viciou a democracia comprando votos, não ameaçou parlamentares, enfim...
O STF não sabe quem é esse Cunha que o Brasil grita FORA!Vão dizer que tudo que pesa contra Cunha não estava em julgamento hoje. O que estava em julgamento hoje era a possibilidade de um bandido/psicopata tacar fogo num país. O que o STF fez hoje, consciente foi empoderar o maior bandido que esse país já viu, por motivos que não me interessam. Fora MAM lutandoo e Lewandowski, visivelmente, constrangido, tentando consertar os vexames da turma, até min. Barroso, sempre tão articulado, tava todo enrolado. O MIn Fachin, é a Rosa Weber de gravata. Putz, tava um horror aquilo hoje.
MAM, salvou o dia e, merecidamente foi parar em 2º lugar nos TT's, só perdendo pro Estado Islâmico que acredita que num país com Globo, Gilmar, Janot, Cunha, Moro MPF, etc..., alguém vai se assustar com as suas ameaças.
Por falar em Moro, outro contra quem  o STF/CNJ também não podem fazer nada porque, assim como Cunha deve estar limpo e dentro da lei, cansado de torturar os reféns que tem sob seu poder , agora vai atrás de idosas. Para atingir JD foi torturar a mãe dele com 94 anos. Vai explicar o que aconteceu à uma senhora na idade dela com o filho preso....
O dia de hoje foi bom pra militância perceber que está por conta própria. Precisamos ampliar os Atos de sexta/sab/dom e pressionar o congresso. Perder no domingo não é uma opção e, muito cuidado com os confrontos porque não vai ter justiça pra vermelho por aqui tão cedo.
Na AP 470, os réus, Dirceu, Genoíno, Delúbio, Pizzolato, diziam pra gente, não avacalhar o Judiciário pq não existia República sem Judiciário. O STF hoje, mostrou que existe sim.

do CGN 
http://jornalggn.com.br/noticia/o-efeito-cunha-no-comportamento-dos-ministros-do-stf-por-cristiana-castro

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

A Argentina e nossa mídia escrota



Para quem não tem como saber o que acontece na Argentina pela cobertura vagabunda dos meios de comunicação locais (e para quem quer saber como é um governo da "direita moderna").
Mauricio Macri usou uma liminar para impedir que Cristina Kirchner passasse os atributos a ele. Não foi um "capricho" dela, como se leu por aí, foi uma liminar da justiça!
Provavelmente algo inédito na história do mundo "democrático". E os motivos ficaram evidentes no dia da posse e no anterior. Enquanto o ato de despedida de Cristina Kirchner encheu a Praça de Maio (encheu mesmo, não é exagero meu) no dia 9, a posse de Macri no dia 10 não levou nem 1/3 do número de participantes. Claramente Macri não queria que esse fosse o tom do dia 10, mais gente nas ruas por Cristina que por ele, então fez de tudo para ela não estar.

Para quem comprou o discurso que o governo K era autoritário, explique como em 5 dias de governo, Macri já assinou mais decretos presidenciais (aqueles que significam passar por cima do Congresso) que Cristina K em seus 8 anos de mandato. Repito para quem não entendeu: o "moderno" Macri usou mais vezes os decretos presidenciais em 5 dias que a "populista" Kirchner em 2920 dias!
E entre os decretos de Macri estão a derrogação, na prática, de duas leis importantíssimas, a Lei de Meios tão respeitada no Brasil e a Lei de Educação que estabelece como meta o investimento de 6% do PIB nesse setor. Assim, com canetadas, ajuda o grupo Clarín e diminui os "gastos" do Estado.
Também, ao melhor estilo dos republicanos, já cortou os impostos dos mais ricos, eliminando as retenções do campo. As retenções eram imposições sobre o agronegócio exigindo que uma parte das colheitas fosse vendida no mercado nacional, impedindo o desabastecimento e que os produtos tivessem preços mais acessíveis por não seguirem o mercado internacional. Como resultado dessa liberação total, a inflação medida desde que ganhou Macri até hoje, quase triplicou. Já sabendo que "o governo deles" tinha ganhado, produtores e intermediários, como supermercados, fizeram uma remarcação violenta dos preços (que agora se chama pela mídia pró-Macri de "sinceramento" dos preços - ou seja, os preços como "deveriam ser"). Sendo que uma das maiores críticas ao "populista" governo K era a inflação.
Apesar das promessas, os cortes de impostos para os trabalhadores que ganham salários mais altos não aconteceu, apesar do apoio de dirigentes da CGT, inclusive do caminhoneiro Hugo Moyano (que dirigiu várias greves gerais contra o governo K)
E em janeiro vamos ter tarifaço em serviços públicos, luz e gás. O tal fim do "cepo cambiário" (cepo quer dizer armadilha para pegar animais, mas no caso seriam restrições) não aconteceu, mas vai com certeza. Agora, todos os argentinos anti-K xingavam ao falar desse cepo, só que na prática são quase as mesmas restrições que existem no Brasil e em qualquer outro país com regras. O que não era a Argentina dos anos 90. Restrições à compra de moeda estrangeira, restrições ao envio de dinheiro ao exterior, etc. Elas também existem no Brasil, ninguém pode comprar milhares de dólares sem autorização, sem comprovar de onde vem o dinheiro, etc. O problema aqui é que a economia é semi-dolarizada, com imóveis sendo vendidos em dólar e coisas assim. Sem contar que o argentino médio cai no golpe do "economizar em dólar" e acha que comprar a moeda gringa e guardar no colchão é um bom negócio. Não adianta mostrar estatísticas e comparação com outros investimentos, é pura perda de tempo. Espera-se uma forte desvalorização da moeda, o que é sempre bom para quem tem muito dinheiro e ruim para o resto.
Para finalizar, o dita...presidente Macri ainda indicou, por decreto, sem passar pelo Senado dois juízes para as vagas no Supremo Tribunal. Algo que só aconteceu duas vezes antes na Argentina durante processos ditatoriais. Nunca se viu algo assim antes, indicar juízes passando por cima de todos os critérios democráticos. Ele também forçou a saída de vários funcionários que possuem independência dos governos eleitos, como o presidente do Banco Central (que diz ter sido ameaçado de morte) e da Procuradora-Geral da Nação que possuem mandatos votados pelo Congresso e independentes do governo de turno. Um estilo claramente mafioso de governar.
Na minha opinião, a direita moderna é igualzinha à direita tradicional, tanto em seus objetivos quanto em seus métodos. O bom disso tudo é que nesses cinco dias de desgoverno Macri já aconteceram mobilizações no país todo em defesa da Lei de Meios e em apoio à Procuradora. A próxima é dia 17, depois de amanhã. Ah, e pela primeira vez em muitos anos, posso falar pelos 7 que estou aqui, na manifestação contra o fim da Lei de Meios foi a primeira vez que se voltou a ver, em plena Praça de Maio, caminhões-tanque daqueles usados na repressão em São Paulo. Por enquanto estavam só estacionados.
Uma pequena atualização, se lembrar de mais alguma coisa, dou uma editada.

 Marcelo Barbão em seu facebook:

https://www.facebook.com/marcelo.barbao/posts/10153942490454750?fref=nf



quarta-feira, 5 de março de 2014

Ucrânia: laços indiscretos entre EUA e neo-nazistas


MAX BLUMENTHAL
Obcecada com vitória geopolítica na Europa Oriental, Washington envolveu-se com grupos que defendem “supremacia branca” e atacam comunistas, anarquistas e judeus
Por Max Blumenthal, no Alternet| Tradução Cauê Seignemartin Ameni
Quando os protestos na capital da Ucrânia chegaram a um desfecho, este fim-de-semana, as demonstrações de extremistas fascistas e neo-nazistas assumidos tornaram-se evidentes demais para serem ignoradas. Desde o início dos protestos, quando manifestantes lotaram a praça central para combater a polícia ucraniana e exigir a expulsão do corrupto presidente pró-russia Viktor Yanukovich, as ruas estavam cheias de pelotões de extrema-direita, prometendo defender a pureza étnica de seu país.
Bâners dos partidários da “supremacia branca” e bandeiras dos confederados norte-americanos [escravocratas] foram fixadas dentro da prefeitura de Kiev ocupada. Manifestantes içaram bandeiras da SS nazista e símbolos do poder branco sobre a estátua tombada de Lenin. Depois que Yanukovich fugiu do palácio estatal de helicóptero, os manifestantes destruíram a estátua dos ucranianos que morreram lutando contra a ocupação alemã durante a Segunda Guerra Mundial. Saudações nazistas e o símbolo doWolfsangel tornaram-se cada vez mais comuns na praça Maiden. Forças neo-nazi estableceram “zonas autonômas” em torno de Kiev.
Um grupo anarquista chamado União Ucraniana Antifascista tentou juntar-se aos manifestantes de Maiden, mas encontrou dificuldades, com ameaças de violência das gangs neo-nazis itinerantes da praça. “Eles disseram que os anarquistas são gente como judeus, pretos e comunistas. E nem havia comunistas entre nós, foi um insulto”, ”, disse um integrante do grupo.
“Está cheio de nacionalistas aqui — incluindo nazistas”, continuou o antifascista. “Eles vieram de toda Ucrânia, e são cerca de 30% dos manifestantes.”
Um dos “três grandes” partidos políticos por detrás dos protestos é o ultra-nacionalista Svoboda, liderado por Oleh Tyahnybok, que clama pela “libertação” de seu país da “máfia judaico-moscovita”. Após a condenação, em 2010, de John Demjanjuk, um vigilante dos campos de extermínio que teria participado da morte de 30 mil pessoas no campo de extermínio nazista de Sobibor, Tyahnybok propôs à Alemanha  declará-lo um herói que “lutou pela verdade”. No parlamento ucraniano, onde o Svoboda detém inéditos 37 assentos, o vice de Tyahnybok, Yuiy Mykhalchyshyn, cita com frequência Joseph Hoebbels. Ele próprio fundou um thinktank originalmente chamado de Centro de Pesquisa Política Goebbels. Segundo Per Anders Rudling, acadêmico especialista em movimentos neofascista na Europa, o auto-intitulado “nacional socialista” Mykhalchyshyn é o principal elo entre a ala oficial do partido Svoboda e as milícias neonazistas, como o Right Sector.
Right Sector é um grupo nebuloso, que se auto-intitula “nacionalista autônomo”. Seus membros são identificados pelo jeito skinhead de trajar, estilo de vida ascético e fascínio pela violência nas ruas. Armado com escudos e porretes, o grupo ocupou as linhas de frente das batalhas nas manifestações deste mês, enchendo o ar com seu tradicional canto: “A Ucrânia, acima de tudo!”. Em um vídeo-propaganda recente [veja abaixo], o grupo prometeu lutar “contra a degeneração e o liberalismo totalitário, pela tradição moral nacional e os valores familiares.” Com o Svoboda ligado a uma constelação de partidos neofascistas internacionais por meio da Aliança dos Movimentos Nacionais Europeus, o Right Sector promete levar seu exército de jovens desiludidos a “uma grande Reconquista Europeia”.
do site do PCdoB

terça-feira, 30 de julho de 2013

Opus Dei: "Estadão", Alckmin e os Papas

A Opus Dei actua também no monopólio da imprensa. Controla o jornal "El Observador", de Montevidéu, e exerce influência sobre órgãos tradicionais da oligarquia como "El Mercurio", no Chile, "La Nación", na Argentina e "O Estado de São Paulo", no Brasil. 
O elo com a imprensa é o curso de pós-graduação em jornalismo da Universidade de Navarra em São Paulo, coordenado por Carlos Alberto di Franco, numerário e comentarista do "Estadão" e da Rádio Eldorado.  O segundo homem da Opus Dei na imprensa brasileira é o também numerário Guilherme Doring Cunha Pereira, herdeiro do principal grupo de comunicação do Paraná ("Gazeta do Povo"). 



Os jornalistas Alberto Dines e Mário Augusto Jakobskind denunciam que a organização controla também a Sociedade Interamericana de Imprensa – SIP (na sigla em espanhol).  

Analisando a estrutura de classes dos países latino-americanos, Darcy Ribeiro identificava como segmento hegemónico dentro das classes dominantes o corpo de gerência das transnacionais. Ponta de lança do imperialismo, é ele quem dita ordens e impõe ideologias às demais fracções e, em muitos casos, organiza-as politicamente. A desnacionalização das economias latino-americanas na década de 90 agravou este quadro. A alteração de mais relevo no perfil da classe dominante verificada no bojo deste processo é o crescimento da influência da Opus Dei. Sustentada pelo capital espanhol, a organização controla jornais, universidades, tribunais e entidades de classe, sendo hoje peça chave para se compreender o processo político no continente, inclusive no Brasil, onde quer eleger Geraldo Alckmin presidente da República.


Procissão Católica na Espanha, berço da Opus Dei.
Mas o que é afinal, a Opus Dei (em latim, Obra de Deus)?
Em seu campo original de actuação, é a vanguarda das tendências mais conservadoras da Igreja Católica. "Este concílio, minhas filhas, é o concílio do diabo" teria dito seu fundador, Josemaria Escrivá de Balaguer, sobre o Vaticano II, no relato do jornalista argentino Emilio J. Corbiere no seu livro "Opus Dei. El totalitarismo católico".
Fundada na Espanha em 1928, a organização foi reconhecida pelo Vaticano em 1947. Em 1982, foi declarada uma prelatura pessoal, o que, sob o Direito canónico, significa que só presta contas ao papa e que seus membros não se submetem à jurisdição dos bispos. "A relação entre Karol Wojtyla - Papa J Paulo II (grifos do "Mastrandea") - e a Opus Dei" conta o teólogo espanhol Juan José Tamayo Acosta "atinge seu êxito nos anos 80-90, com a irresistível ascensão da Obra à cúpula do Vaticano, a partir de onde interveio altivamente, primeiro no esboço e depois na colocação em prática do processo de restauração da Igreja católica sob o protagonismo do papa e a orientação teológica do cardeal alemão Ratzinger."Fontes ligadas à Igreja Católica atribuem o poder da Obra à quitação da dívida do Banco Ambrosiano, fraudulentamente falido em 1982. 
Obscurantismo e misoginia são traços que marcam a organização. Exemplos podem ser encontrados nas denúncias de ex-adeptos como Jean Lauand, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo – Universidade de São Paulo (USP), que recentemente escreveu junto com mais dois ex-membros, o juizMárcio Fernandes e o médico Dário Fortes Ferreira, o livro "Opus Dei – os bastidores". Em entrevista ao programa Biblioteca Sonora, da Rádio USP, Jean Lauand conta que a Obra tem um "Index" de livros proibidos que abrange praticamente toda a filosofia ocidental desde Descartes. Noutra entrevista, à revista Época, Jean Lauand denuncia as estratégias de fanatização dos chamados numerários, leigos celibatários que vivem em casas da organização: "Os homens podem dormir em colchões normais, as mulheres têm de dormir em tábuas. São proibidas de segurar crianças no colo e de ir a casamentos". É obrigatório o uso de cinturões com pontas de ferro fortemente atados à coxa, como prática de mortificação que visa refrear o desejo. Mas os danos infligidos pelo fanatismo não se limitam ao corpo. No site que mantém com outros dissidentes (http://www.opuslivre.org/), Jean Lauand revela que a Obra conta com médicos especialmente encarregados de receitar psicotrópicos a numerários em crise nervosa.
A captação de numerários dá-se entre estudantes de universidades e escolas secundárias de elite. Centros de estudos e obras de caridade servem de fachada. A Opus Dei tem forte presença na USP, em especial na Faculdade de Direito, onde parte do corpo docente é composta por membros e simpatizantes,como o numerário Inácio Poveda e o director Eduardo Marchi. Outro expoente da organização na USP é Luiz Eugênio Garcez Leite, professor da Faculdade de Medicina e autor de panfletos contra a educação mista. A Obra actua também na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade de Campinas (Unicamp) e Universidade de Brasília (UnB).

Fazendo a América
Mas a Opus Dei é mais que um tema de saúde pública. Ela tem, desde a origem, uma clara dimensão política. Durante a ditadura de Franco, praticamente fundiu-se ao Estado espanhol, ao qual forneceu ministros e dirigentes de empresas e órgãos governamentais.No fim da década de 40, inicia sua expansão rumo à América Latina. Não foi difícil conquistar adeptos entre oligarquias como as da Cidade do México, Buenos Aires e Lima, que sempre buscaram diferenciar-se de seus povos apegando-se a um conceito conservador de pretensa hispanidade. Um dos elementos definidores desse conceito é exactamente o integralismo católico.

Alberto Moncada, outro dissidente, conta em seu livro "La evolución del Opus Dei": "os jesuítas decidiram que seu papel na América Latina não deveria continuar sendo a educação dos filhos da burguesia, e então apareceu para a Opus Dei a ocasião de substituí-los – ocasião que não hesitou em aproveitar".
No Brasil, a organização deitou raízes em São Paulo no começo da década de 50, concentrando sua actuação no meio jurídico. O promotor aposentado e ex-deputado federal Hélio Bicudo conta que por duas vezes juízes tentaram cooptá-lo. Seu expoente de maior destaque foi José Geraldo Rodrigues Alckmin, nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)por Médici em 1972 e tio do actual governador de São Paulo. Acontece que nos anos 70, o poder da Opus Dei era embrionário. Tinha quadros em posições importantes, mas sem actuação coordenada. Além disso, dividia com a Tradição, Família e Propriedade (T.F.P.) as simpatias dos católicos de extrema-direita.
Era natural, da mesma forma, que, alguns quadros dos regimes nascidos dos golpes de Estado de 1966 e 1976, na Argentina, e 1973, no Uruguai, fossem também quadros da Opus Dei. Mas segundo se lê no livro de Emilio J. Corbiere , sua actuação era ainda dispersa, o que não os impediu de controlar a Educação na Argentina durante o período Onganí (1966-70). Já no Chile, a Opus Dei foi para o pinochetismo o que havia sido para o franquismo na Espanha. O principal ideólogo do regime,Jaime Guzmá, era membro activo da organização, assim como centenas de quadros civis e militares. No México, a Obra conseguiu fazer Miguel de la Madrid presidente da República em 1982, iniciando a reversão da rígida separação entre Estado e Igreja imposta por Benito Juárez entre 1857 e 1861.

Internacional reacionária
A Opus Dei não criou o reacionarismo católico, antes, teve nele sua base de cultura. Mas sistematizou-o doutrinariamente e organizou politicamente seus adeptos de uma forma quase militar. Hoje, funciona como uma espécie de Internacional reaccionária, congregando, coordenadamente, adeptos em todo o mundo.

Concorrem para isto, nos anos 90, o ápice do poder da Obra no Vaticano e a invasão da América Latina por transnacionais espanholas. A Argentina entregou suas estatais de telefonia, petróleo, aviação e energia á Telefónica, Repsol, Iberia e Endesa, respectivamente. A Telefónica controla o sector também no Peru e em São Paulo. A Iberia já havia engolido a LAN, do Chile, onde a geração de energia também é controlada pela Endesa. Bancos espanhóis também chegaram ao continente neste processo. No Brasil, o Santander comprou o Banespa e o Meridional, enquanto que o BBVA recebeu os activos do Excel através do Proer, no governo de Fernando Henrique Cardoso.

"A Opus Dei tem sido para o modelo neoliberal o que foram os dominicanos e franciscanos para as cruzadas e os jesuítas frente à Reforma de Lutero" compara José Steinsleger, colunista do diário mexicano "La Jornada".

A organização actua também no monopólio da imprensa. Controla o jornal "El Observador", de Montevidéu, e exerce influência sobre órgãos tradicionais da oligarquia como "El Mercurio", no Chile, "La Nación", na Argentina e "O Estado de São Paulo", no Brasil. O elo com a imprensa é o curso de pós-graduação em jornalismo da Universidade de Navarra em São Paulo, coordenado por Carlos Alberto di Franco, numerário e comentarista do "Estadão" e da Rádio Eldorado. O segundo homem da Opus Dei na imprensa brasileira é o também numerário Guilherme Doring Cunha Pereira, herdeiro do principal grupo de comunicação do Paraná ("Gazeta do Povo"). Os jornalistas Alberto Dines e Mário Augusto Jakobskind denunciam que a organização controla também a Sociedade Interamericana de Imprensa – SIP (na sigla em espanhol). Sedeada na Espanha, a Universidade de Navarra é a jóia da coroa da Opus Dei no negócio do ensino. Sua receita anual é de 240 milhões de euros. Além disso, a Obra controla as universidades Austral (Argentina), Montevideo (Uruguai), de Piura (Peru), de Los Andes (Chile), Pan Americana (México) e Católica André Bello (Venezuela). Dentro da igreja católica, a Opus Dei emplacou, na última década, vários bispos e Cardeais na América Latina. O mais notável éJuan Luís Cipriani, de Lima, no Peru, amigo íntimo da ditadura de Alberto Fujimori. Em seu estudo "El totalitarismo católico em el Peru", o jornalista Herbert Mujica denuncia que quando o Movimento Revolucionário Tupac Amaru tomou a embaixada do Japão, em 1997, Juan Luís Cipriani, valendo-se da condição de mediador do conflito, instalou equipamentos de escuta que possibilitaram à polícia invadir a casa e matar os ocupantes. Na Venezuela, a Obra teve papel essencial no fracassado golpe de 2002 contra Hugo Chávez. Um dos articuladores da tentativa foiJosé Rodríguez Iturbe, nomeado ministro das Relações Exteriores. Também participou da articulação à embaixada da Espanha, governada na época pelo neo-franquista Partido Popular (PP). Após os reveses na Venezuela, as esperanças da Opus Dei voltaram-se para Joaquím Laví, no Chile, e Geraldo Alckmin, no Brasil, hoje seus quadros políticos de maior destaque.Joaquím Laví foi derrotado nas últimas eleições presidenciais chilenas em Dezembro. Resta o Brasil, onde a Obra tenta fazer deGeraldo Alckmin presidente e formar um eixo geopolítico com os governos Álvaro Uribe (Colombia) e Vicente Fox (México), aos quais está intimamente associada.

Entranhas mafiosas
Além das dimensões religiosa e política, a Opus Dei tem uma terceira face: a de sociedade secreta de cunho mafioso. Em seus estatutos secretos, redigidos em 1950 e publicados em 1986 pelo jornal italiano "L´Expresso", a Obra determina que "os membros numerários e supernumerários saibam que devem observar sempre um prudente silêncio sobre os nomes dos outros associados e que não deverão revelar nunca a ninguém que eles próprios pertencem à Opus Dei."

Inimiga jurada da Maçonaria, ela copia sua estrutura fechada o que frequentemente serve para encobrir actos criminosos. Entre os católicos, a Opus Dei é conhecida como "Santa Máfia",Emilio J. Corbiere lembra os casos de fraude e remessa ilegal de divisas nas empresas espanholas Matesa e Rumasa, em 1969, onde parte dos activos desviados financiaram a Universidade de Navarra. Bancos espanhóis são suspeitos de lavagem de dinheiro do narcotráfico e da máfia russa. A Opus Dei também esteve envolvida nos episódios de falência fraudulenta dos bancosComercial (Uruguai, pertencente à família Peirano, dona de "El Observador") e de Crédito Provincial (Argentina). Na Argentina os responsáveis pelas desnacionalizações da petrolífera YPF e das Aerolineas Argentinas, compradas por empresas espanholas, em dois dos maiores escândalos de corrupção da história do país, tiveram sua impunidade assegurada pela Suprema Corte, onde pontificava António Boggiano, membro da Opus Dei.
No Brasil, as pretensões de controlo sobre o Judiciário esbarram no poder dos Maçons.
A Opus Dei controla, porém, o Tribunal de Justiça de São Paulo através da manipulação de promoções. Segundo fontes do meio jurídico paulista, de 25 a 40% dos juízes de primeira instância no estado pertencem à organização – proporção que se repete entre os promotores, no tribunal, a proporção sobe para 50 a 75%. Recentemente, o tribunal, em julgamento secreto, decidiu pelo arquivamento de denúncia contra Saulo Castro Abreu Filho, braço direito de Geraldo Alckmin, acusado de organizar grupos de extermínio desde a secretaria de Segurança, e contra dois juízes acusados de participação na montagem desses grupos. A fusão dos tribunais de Justiça e de Alçada, determinada pela Emenda Constitucional n.º 45, foi uma medida da equipe do ministro da Justiça, Mácio Thomaz Bastos, para reduzir o poder da Obra no judiciário paulista, cuja orientação excessivamente conservadora, principalmente em questões criminais e de família, é motivo de alarme entre profissionais da área jurídica.

por Henrique Júdice Magalhães

do "Entrando de Vice e Versa"



quarta-feira, 24 de julho de 2013

Por falar em Papa: O Escândalo do Banco Ambrosiano






Giulio Andreotti Licio Gelli ligado à Maçonaria P2 (Propaganda 2)


Da "GFORUM"


O Banco Ambrosiano (posteriormente renomeado de Banco Ambrosiano Veneto após a fusão com o Banco Católico do Vêneto) foi um dos principais bancos privados católicos italianos. No centro das operações que levaram a ruína do banco estava o seu principal executivo, Robert Calvi e seus companheiros da ilegal loja maçónica P2 (Propaganda-2). O Banco do Vaticano era o principal parceiro do Banco Ambrosiano, e com a súbita morte do Papa João Paulo I, em 1978, surgiram rumores de que haveria ligações com as operações ilegais daquela instituição (hipótese explorada no filme "Padrinho III"). O Banco do Vaticano foi também acusado de trabalhar com fundos ilegais do Sindicato Solidariedade.

Em 1947 Canesi trouxera Roberto Calvi para o Banco Ambrosiano. Em 1971, Calvi tornou-se administrador geral, e em 1975 assumiu a presidência. Calvi tornou-se célebre com as lavagens de dinheiro, expandindo as aplicações do Banco Ambrosiano; para isso criou um grande número de companhias fantasmas "off-shore" nas Bahamas e na América do Sul; assumiu o controle da Banca Cattolica del Veneto; e investiu na editora Rizzoli para financiar o jornal Corriera della Sera (Calvi tentava com isso trazer benefícios para os associados da loja maçónica P2). Calvi também envolveu o Banco do Vaticano e seus operadores, e aproximou-se do Bispo Paul Marcinkus, o presidente do banco. O Banco Ambrosiano também forneceu fundos para partidos políticos na Itália, e tanto para o ditador da Nicarágua, Anastásio Somoza, como para a oposição Sandinista. Houve rumores de que também deu dinheiro para o Partido polaco da Solidariedade

Calvi usava uma complexa rede de bancos e companhias para retirar fundos da Itália. Em 1978, o Banco da Itália preparou um relatório sobre o Banco Ambrosiano que previa o futuro desastre e deflagrou as investigações criminais. Logo a seguir, um juiz de Milão, Emilio Alessandrini, foi assassinado por um grupo terrorista esquerdista.


Em 1981, a polícia invadiu o escritório da loja maçónica e prendeu o Grão-Mestre Licio Gelli, encontrando provas contra Roberto Calvi. Calvi foi aprisionado, julgado e sentenciado a cumprir pena de quatro anos. Depois, ele apelou e foi solto, conseguindo manter seu cargo no banco. 



Mas outros alarmes se seguiram: Carlo de Benedetti, da Olivetti, comprou o banco e se tornou o vice-presidente, apenas por dois meses depois de ser ameaçado. Seu substituto foi um empregado de carreira chamado Roberto Rosone, que sofreu um atentando atribuído à Máfia, que por sua vez responsabilizou os terroristas da Banda della Magliana, que agia em Roma desde os anos de 1970.


Em 1982, as dívidas do banco vieram à superfície. Calvi saiu do país usando um passaporte falso e Rosone negociou sua saída do cargo com o Banco da Itália. A secretária pessoal de Calvi, Graziella Corrocher, deixou um bilhete denunciando-o antes de se suicidar. Calvi foi encontrado enforcado na ponte Blackfriars, em Londres, em 18 de Junho daquele ano. Ao que se consta, tratou-se de uma encomenda da Máfia, por Calvi os ter enganado.


Em Julho de 1982, os fundos das aplicações off-shore foram suspensos e a falência declarada. Em Agosto, o banco foi substituído pelo Nuovo Banco Ambrosiano sob a direcção de Giovanni Bazoli, com o Banco do Vaticano arcando com muito dos prejuízos.


Em Abril de 1992, Carlo De Benedetti, vice-presidente do Banco Ambrosiano, e outras 32 pessoas, foram condenadas por fraude pela corte de Milão. Benedetti foi condenado a 6 anos e 4 meses de prisão.

Em 1994, o Primeiro-Ministro Socialista, Bettino Craxi, foi implicado no caso do Banco Ambrosiano, juntamente com Licio Gelli da P-2 e o Ministro da Justiça, Claudio Martelli. Em Abril de 1998, a Corte confirmou 12 anos de cadeia para Licio Gelli.
O jornalista David Yallop acredita que Calvi, com a ajuda da P2, foi responsável pela morte de Albino Luciani, o Papa João Paulo I, pois este planeava uma reforma nas finanças do Vaticano.



sexta-feira, 19 de julho de 2013

Emir: O dedo do Lula






Do "Carta Maior"



A sociedade brasileira teve sempre a discriminação como um dos seus pilares. A escravidão, que desqualificava, ao mesmo tempo, os negros e o trabalho – atividade de uma raça considerada inferior – foi constitutiva do Brasil, como economia, como estratificação social e como ideologia.


Uma sociedade que nunca foi majoritariamente branca, teve sempre como ideologia dominante a da elite branca, Sempre presidiram o país, ocuparam os cargos mais importantes nas FFAA, nos bancos, nos ministérios, na direção das grandes empresas, na mídia, na direção dos clubes – em todos os lugares em que se concentra o poder na sociedade, estiveram sempre os brancos.



A elite paulista representa melhor do que qualquer outro setor, esse ranço racista. Nunca assimilaram a Revoluçao de 30, menos ainda o governo do Getúlio. Foram derrotados sistematicamente pelo Getulio e pelos candidatos que ele apoiou. Atribuíam essa derrota aos “marmiteiros”- expressão depreciativa que a direita tinha para os trabalhadores, uma forma explicita de preconceito de classe.



A ideologia separatista de 1932 – que considerava São Paulo “a locomotiva da nação”, o setor dinâmico e trabalhador, que arrastava os vagões preguiçosos e atrasados dos outros estados – nunca deixou de ser o sentimento dominante da elite paulista em relação ao resto do Brasil. Os trabalhadores imigrantes, que construíram a riqueza de Sao Paulo, eram todos “baianos” ou “cabeças chatas”, trabalhadores que sobreviviam morando nas construções – como o personagem que comia gilete, da música do Vinicius e do Carlos Lira, cantada pelo Ari Toledo, com o sugestivo nome de pau-de-arara, outra denominação para os imigrantes nordestinos em Sao Paulo.



A elite paulista foi protagonista essencial nas marchas das senhoras com a igreja e a mídia, que prepararam o clima para o golpe militar e o apoiaram, incluindo o mesmo tipo de campanha de 1932, com doações de joias e outros bens para a “salvação do Brasil”- de que os militares da ditadura eram os agentes salvadores.



Terminada a ditadura, tiveram que conviver com o Lula como líder popular e o Partido dos Trabalhadores, para o qual canalizaram seu ódio de classe e seu racismo. Lula é o personagem preferencial desses sentimentos, porque sintetiza os aspectos que a elite paulista mais detesta: nordestino, não branco, operário, esquerdista, líder popular.



Não bastasse sua imagem de nordestino, de trabalhador, sua linguagem, seu caráter, está sua mão: Lula perdeu um dedo não em um jet-sky, mas na máquina, como operário metalúrgico, em um dos tantos acidentes de trabalho cotidianos, produto da super exploração dos trabalhadores. O dedo de uma mão de operário, acostumado a produzir, a trabalhar na máquina, a viver do seu próprio trabalho, a lutar, a resistir, a organizar os trabalhadores, a batalhar por seus interesses. Está inscrito no corpo do Lula, nos seus gestos, nas suas mãos, sua origem de classe. É insuportável para o racismo da elite paulista. 



Essa elite racista teve que conviver com o sucesso dos governos Lula, depois do fracasso do seu queridinho – FHC, que saiu enxotado da presidência – e da sua sucessora, a Dilma. Tem que conviver com a ascensão social dos trabalhadores, dos nordestinos, dos não brancos, da vitória da esquerda, do PT, do Lula, do povo.



O ódio a Lula é um ódio de classe, vem do profundo da burguesia paulista e de setores de classe média que assumem os valores dessa burguesia. O anti-petismo é expressão disso. Os tucanos são sua representação política.
Da discriminação, do racismo, do pânico diante das ascensão das classes populares, do seu desalojo da direção do Estado, que sempre tinham exercido sem contrapontos. Os Cansei, a mídia paulista, os moradores dos Jardins, os adeptos do FHC, do Serra, do Gilmar, dos otavinhos – derrotados, desesperados, racistas, decadentes.