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sábado, 16 de abril de 2016

E o STF se ajoelha diante de Cunha.

Comentário ao post "O jurisdiquês como forma de contornar a lógica"
Caramba! Mas o que que foi aquilo, hoje (14)? Mais de cinco horas discutindo as tretas do réu mais poderoso da Casa. De saída fiquei meio confusa, porque o STF já tinha decidido essa questão e o rito seria o mesmo de 92; aí saíram com esse papo de uma lei nova estaria regulando a votação e aí começou o rolo.
O que era pra ter acabado em segundos como voto do min. Marco Aurélio Mello, e, no máximo, fazendo a votação por ordem alfabética que deixaria tudo simples e resolvido. Mas o problema era o de sempre: Cunha; ninguém queria contrariar Cunha. todos os ministros menos Lewandowski e MAM, estavam irreconhecíveis. Pareciam pisar em ovos e muito mais empenhados em encontrar uma solução que não desagradasse Cunha do que em julgar a ADI e os Mandados de Segurança.
A coisa embolou porque todo mundo queria dar um jeito que fugisse da ordem alfabética que Cunha não queria pq não haveria como manipular a votação para produziro efeito manada; o problema é que fora da ordem alfabética tudo ficava confuso, porque Norte e Sul, excluem Centro-oeste e aí aquela coisa de mais ao norte ou mais ao sul, latitude das capitais, etc... venciam um problema e aparecia outro, ia ser por bancada, por deputado, por estado, alternado ou não... Enfim, uma loucura que se Eduardo Cunha cumprisse as decisões do STF teria sido evitada.
Porque o rito já estava definido e a verdade é que Cunha pouco se lixou pra decisão da Corte e mudo meu nome se ele vai começar essa votação pelo Norte no domingo. Ele vai fazer o que quer. O que aconteceu no STF, hoje, foi muito estranho. Parecia que, apenas MAM, Gilmar Mendes e Lewandowski tinham a real noção do estava em jogo.
GM, por óbvio, lutando por seu grupo golpista, junto como PGR e os outros dois fazendo o que dava. O resto, completamente aparvalhado, falando coisa demais embolando teses, não entendendo, explicando, de novo.. Quando tudo parecia terminado com o encerramento da ADI, entram mais 2 MS sobre o mesmo tema e começa tudo outra vez.
O Efeito Cunha na Corte foi devastador. Pra se ter uma ideia, um tema brabo desses e nenhum conflito, discussão ou debate mais acalorado. GM ainda arriscou um cacarejo mas engoliu. A paz de Cunha baixou na Corte e GM nem teve espaço para fazer palanque grande. Palanquinho, ele sempre faz mas hoje, era esperado um palancão, pois o maior bandido da República estava sendo questionado na mais Alta Corte de Justiça do País que, depois de meses se perguntando onde estaria o STF que não travava Cunha, dá de cara com uma resposta que causa mais indignação que a postura de Eduardo Cunha.
O STF não barrou Cunha esse tempo todo, simplesmente porque Cunha não estava fazendo nada demais. É um homem Santo,  tá limpo como dizem aqui na minha cidade, tá na lei... o resto do país é que enlouqueceu. Cunha não manobrou, não viciou a democracia comprando votos, não ameaçou parlamentares, enfim...
O STF não sabe quem é esse Cunha que o Brasil grita FORA!Vão dizer que tudo que pesa contra Cunha não estava em julgamento hoje. O que estava em julgamento hoje era a possibilidade de um bandido/psicopata tacar fogo num país. O que o STF fez hoje, consciente foi empoderar o maior bandido que esse país já viu, por motivos que não me interessam. Fora MAM lutandoo e Lewandowski, visivelmente, constrangido, tentando consertar os vexames da turma, até min. Barroso, sempre tão articulado, tava todo enrolado. O MIn Fachin, é a Rosa Weber de gravata. Putz, tava um horror aquilo hoje.
MAM, salvou o dia e, merecidamente foi parar em 2º lugar nos TT's, só perdendo pro Estado Islâmico que acredita que num país com Globo, Gilmar, Janot, Cunha, Moro MPF, etc..., alguém vai se assustar com as suas ameaças.
Por falar em Moro, outro contra quem  o STF/CNJ também não podem fazer nada porque, assim como Cunha deve estar limpo e dentro da lei, cansado de torturar os reféns que tem sob seu poder , agora vai atrás de idosas. Para atingir JD foi torturar a mãe dele com 94 anos. Vai explicar o que aconteceu à uma senhora na idade dela com o filho preso....
O dia de hoje foi bom pra militância perceber que está por conta própria. Precisamos ampliar os Atos de sexta/sab/dom e pressionar o congresso. Perder no domingo não é uma opção e, muito cuidado com os confrontos porque não vai ter justiça pra vermelho por aqui tão cedo.
Na AP 470, os réus, Dirceu, Genoíno, Delúbio, Pizzolato, diziam pra gente, não avacalhar o Judiciário pq não existia República sem Judiciário. O STF hoje, mostrou que existe sim.

do CGN 
http://jornalggn.com.br/noticia/o-efeito-cunha-no-comportamento-dos-ministros-do-stf-por-cristiana-castro

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Rosa dos Ventos: O Intruso Lula


Da Carta Capital

Lula
cometeu um “erro” fundamental, nos oito anos na Presidência da República, ao oferecer a 40 milhões de excluídos da sociedade o status de cidadãos brasileiros. Ele paga o preço.
Uma parcela da população facilmente identificável reage a isso e se horroriza, por exemplo, com a frequência dos novos passageiros de aviões. Eles teriam dado aos aeroportos uma aparência de rodoviária. Eis aí um preconceituoso ponto de vista. 
Mas há uma hostilidade precedente a esta. Foi motivada pela ascensão de Lula, um ex-operário metalúrgico que chegou ao topo do poder. Em 2002, na 19ª vez em que foi às urnas para eleger um presidente, o eleitor subverteu a regra imperante, em 103 anos de uma República mal resolvida, e elegeu o filho do excluído Aristides Inácio da Silva, falecido 15 anos antes. Por falta de documentação, foi enterrado como indigente. 
Antes de Lula, a regra para ingressar no “Clube dos Eleitos” exigia um diploma de bacharel. Em alguns casos, a porta foi arrombada por alguém com uma espada na mão. Excluída a intromissão ilegal dos militares valem, para esta constatação, os eleitos pelo voto popular.
Os presidentes-advogados prevalecem: Prudente de Morais, Campos Sales, Rodrigo Alves, Afonso Pena, Nilo Peçanha, Venceslau Brás, Epitácio Pessoa, Artur Bernardes, Washington Luís, Getúlio Vargas e Jânio Quadros. Além do médico Juscelino Kubitschek, do economista Fernando Collor de Mello e do sociólogo Fernando Henrique Cardoso.
A expressão “Clube dos Eleitos” é de FHC, criada muito antes de ele próprio chegar ao poder com o diploma de sociólogo em mãos. A porta do clube abriu-se comodamente para o vaidoso FHC, mas não engoliu um inesperado metalúrgico. 
Lula tornou-se um intruso ou, popularmente, um penetra no “Clube dos Eleitos”, mas não assinou a ficha de sócio. 
O pernambucano Lula, imbuído de alma popular, não migrou de classe. E tem a compreensão desse processo. Em entrevista recente, referiu-se a isso ao fazer o contraponto entre ele e FHC, chamado por seus pares de “príncipe da sociologia”. “Ele tem um problema comigo, que é um problema de soberba. Ele sofre com o meu sucesso.” 
Segundo Lula, o ex-presidente tucano, ao deixar o poder após dois mandatos, teria pensado assim: “O Lula vai ganhar, é um coitadinho. Não vai saber nada, não vai dar certo. Quando chegar em 2006, eu vou voltar pelos braços do povo (...) Acontece que, quando o meu governo teve sucesso, em vez de dizer ‘eu ajudei esse menino a vencer’, ele começou a ficar com bronca”.
Lula não tem alternativa política. De frase em frase, ele vai se aproximando da inevitabilidade da candidatura em 2018. A última declaração dele foi incisiva: “É importante defender um projeto político de inclusão. Para defender esse projeto, eu estou disposto a ser candidato”.
Em vez de cadeia, talvez a cadeira presidencial.
 
http://www.cartacapital.com.br/revista/876/o-intruso-lula-865.html

sábado, 29 de agosto de 2015

Fernando Haddad: o Prefeito que só faz ciclovias


EDUCAÇÃO
• 33 creches (mais de 6 mil vagas de Educação Infantil)
• 15 EMEIs (7.480 vagas de Educação Infantil)
• 13.799 novas vagas de Educação Infantil pela rede conveniada
• 32 polos da Universidade Aberta do Brasil, com 6 mil vagas só em 2014 e 1 polo da Universidade Aberta da Pessoa Idosa no Cambuci
• 4 Centros de Educação em Direitos Humanos 8 Telecentros 16 polos de Educação Ambiental

SAÚDE
• 10 Rede Hora Certa, sendo 6 fixas e 4 móveis
• 4 Unidades Básicas de Saúde – UBS
• 1 Unidade de Pronto Atendimento – UPA
• 434 novos leitos em hospitais
• 3 hospitais readequados
• 2 CAPS Álcool e Drogas III Piloto do Prontuário Eletrônico do Paciente

MOBILIDADE
• 326,8 Km de faixas excluídas de ônibus, beneficiando 80% da população
• Bilhete Único Mensal, Semanal e Diário
• Pontilhão do Rio Embu-Guaçu
• Viaduto Itaquera
• Central de Monitoramento Semafórico: 3.109 semáforos reformados e 551 NoBreaks
• Programa de Proteção ao Pedestre
• 101.600 m² de calçadas acessíveis
• Acessibilidade em 68,7% da frota de ônibus

HABITAÇÃO
• 2.404 unidades habitacionais
• 8 favelas urbanizadas
• 21.723 famílias beneficiadas com Regularização Fundiária

DESENVOLVIMENTO SOCIAL
• 270 mil famílias inseridas no Cadastro Único
• 80 mil famílias cadastradas no Bolsa Família
• 24.818 vagas de PRONATEC, sendo 574 para população em situação de rua
• 122 beneficiários do Braços Abertos em tratamento para dependência
• 8.214 microempreendedores formalizados
• 5.607 vagas de Educação de Jovens e Adultos
• 4 Serviços de Acolhimento Institucional à população em situação de rua
• 16 Consultórios na Rua com tratamentos odontológicos e relacionados ao abuso de álcool e outras drogas
• Centros de Formação e Acompanhamento à Inclusão de crianças com necessidades especiais revitalizados
• 3 residências inclusivas para pessoas com deficiência

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E TECNOLÓGICO
• Agência de Desenvolvimento de São Paulo – ADESampa com 30 polos em funcionamento SP Negócios
• Agência de fomento e promoção de negócios Programa de Incentivos Fiscais para a Zona Leste
• Programa VAI TEC
• Terreno para o UNIFESP em Itaquera e o Instituto Federal em Pirituba

CULTURA
• Reabertura do Cine Belas Artes
• Criação da Empresa de Cinema e Audiovisual de São Paulo – SPCine
• Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes
• Readequados 85 Pontos de Cultura
• 150 Bolsas Cultura
• 48 projetos de teatro, 45 de dança e 60 de cinema apoiados
• 238 projetos apoiados pelo Programa de Valorização das Iniciativas Culturais, modalidades 1 e 2

ESPORTE
• 32 equipamentos esportivos abertos 24h em 11 subprefeituras
• 21 equipamentos esportivos requalificados Requalificação do Clube Tietê para abertura ao público

CIDADE E DESENVOLVIMENTO URBANO
• Revisão do Plano Diretor
• 14 obras do Programa de Redução de Alagamentos
• 18 Ecopontos
• Programa de Compostagem Doméstica
• Programa de Feiras Sustentáveis
• 158 mil mudas de árvores plantadas
• 24 praças públicas com Wi-Fi livre (Praças Digitais)
• 1.856 lâmpadas LED e 44 fotovoltaicas (solares)
• 400 núcleos da Defesa Civil – NUDECs cadastrados


Via Rose Martins, usuária do Facebook

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O Coxildo



COLUNA ZERO, por Rodrigo Maldonado.

"S.O.S.

Meu nome é Coxildo. Venho por meio deste pedir ajuda aos nossos militares e aos governos dos países democráticos do Primeiro Mundo contra a ditadura comunista que se instaurou no Brasil. Viramos a Cuba do Sul!


Estamos sob um forte regime de repressão ideológica praticado pelo PT, sob a tutela de seu mentor estrangeiro, o ditador cubano Fidel Castro, que, todo mundo sabe, menos esses idiotas que não estudaram a História, matou mais que Hitler. Eu falei mal do PT ontem, hoje e falarei amanhã, em uma rede social pública, e nada me aconteceu, mas, ainda assim, tenho a forte crença e intuição (sempre fui intuitivo, sabe?) de que estou sendo vigiado e coagido. Paranoia minha? Longe disso, tenho provas.

Outro dia o Danilo Gentili (sim, aquele da TV), após falar mal da ditadora eleita pela corja nordestina (não sou preconceituoso, mas que essa raça subdesenvolvida não sabe votar é um fato) por oito minutos ininterruptos, teve o seu espetáculo de stand up interrompido por uma mulher, pasmem, QUESTIONANDO-O. Ser questionado politicamente no meio de um espetáculo humorístico sobre política? Um homem não pode mais trabalhar em paz? Isso tem nome: censura! Sim, CENSURA! O PT instaurou a censura no Brasil.

O mesmo Gentili acaba de anunciar que está oficialmente na lista negra de Lula e seus petralhas. Até hoje eu nunca tinha ouvido falar dessa lista, e não sei exatamente o que acontece com quem está nela, mas é assustador, não? E é exatamente através do medo que o PT nos coage. Você, que está lendo, está sentindo medo? Então, é o PT quem está fazendo isso com você! E sabem como eu sei? Oras, porque eu TAMBÉM sinto!

Eu tenho a firme crença, como cidadão de valores e princípios, que só vamos nos livrar dessa ditadura, de toda a repressão e censura, com uma intervenção militar. Eu não vivi, mas sei que nos tempos do Regime havia ORDEM. Na escola, criança cantava o hino (hoje todos cheiram drogas na frente do professor), hospital não tinha fila e só vagabundo apanhava. Cidadão de bem não tem que ter medo do exército, tem que ter medo é do PCC, que tomou São Paulo com a ajuda do PT, numa clara artimanha pra denegrir o PSDB. Só não vê quem não quer.

Inclusive, tudo isso que a corja de corruptos do PT diz que inventou na verdade surgiu durante o regime militar ou nas gestões do PSDB. Bolsa Família!? Tinha no regime! Criado por Ruth Cardoso, esposa do General Fernando Henrique Cardoso. Mas na época funcionava, pra ganhar Bolsa Família você tinha que trabalhar, e não se entupir de filhos. Inflação? Itamar Franco acabou com ela quando inventou o Plano Real. Na época era ele, o Covas, o Fleury e o Médici (eu gosto de usar aleatoriamente os nomes dos políticos que conheço, confesso), e vagabundo não se criava em presídio. Era uma mão firme, comandando um país forte antes do PT inventar a corrupção, a miséria e essa briga de classes que tá aí, nas ruas, com os Black Blocs (acham que eu não vi os protestos do ano passado?).

Enfim, precisamos da ajuda de todos vocês para conseguirmos, nem que seja através das armas, o impeachment da presidenta eleita pela maioria, porque essa maioria que recebe assistência do governo não conta. Além disso, as urnas estavam fraldadas. Bom, eu ainda não me decidi bem se a culpa é da burrice do brasileiro, dos nordestinos que recebem tudo de mão beijada ou de uma fraude eleitoral, mas sei que tem coisa muito esquisita aí. Ninguém que eu conheço votou na Dilma, e eu conheço bastante gente, então como ela pode ter sido eleita?

Ainda bem que ainda há veículos democráticos como a Folha, que impediu Xico Sá de declarar seu apoio a essa corja comunista.

Ainda tenho esperança. Nos ajudem. ‪#‎IntervençãoMilitarJá‬

Atenciosamente, Coxildo."

*Coxildo é um paulista ufanista, tem 24 anos e cursa Administração na FAAP. Seu porta-voz, Rodrigo Maldonado, é professor de História graduado pela Universidade Guarulhos, especialista em História da Arte pela PUC-SP e colaborador da nossa página.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Vianna: "Dilma: a vingança de Vargas contra Carlos Lacerda"

Dilma não vai meter bala no coração. Não. Dilma disparou de volta, na testa de Aécio.


Na foto dos anos 50, Aécio Neves - quando ainda se chamava Carlos Lacerda - o corvo
Se Dilma ganhar, essa eleição vai significar também a vingança de Getúlio Vargas contra  o “lacerdismo”.

Sei que o tempo presente nos chama. Mas um pouco de História vai bem. Na verdade, vou falar de um passado que é  presente…
Vocês sabem que Carlos Lacerda (foto ao lado) foi o governador do Rio (e jornalista, e dono de jornal) que fazia oposição violenta contra Getúlio Vargas e o trabalhismo – isso tudo lá nos anos 1950 e 1960.
Chamado de “O Corvo” pelos getulistas, Lacerda era bancado pelos EUA. E tinha apoio de uma classe média furiosa com os direitos trabalhistas, com a criação da Petrobrás e com a entrada em cena da “ralé” (que passava a definir eleições – votando em Vargas ou nos candidatos apoiados por ele).
Qual era o discurso de Lacerda? Vargas seria um “corrupto”, um “bandido comandando uma quadrilha”.
Isso lembra alguma coisa a vocês?
Em 1954, o cerco se apertou. A imprensa passou a falar em “Mar de Lama” no governo. Vargas foi cercado no palácio. E num gesto dramático (esse papo de que no Brasil não há conflitos,  e de que tudo se resolve “na boa”, é balela!) o presidente meteu uma bala no peito.
Ali, Vargas virou o jogo. O povão que começava a ser influenciado pela campanha midiática anti-Vargas, ficou do lado do morto.
Não preciso dizer que “O Globo” e quase toda a imprensa estavam ao lado de Lacerda contra Vargas. O povão queimou carros e gráfica da família Marinho em 1954 – pra se vingar.
Pois bem, o conservadorismo brasileiro é tão pouco criativo que nem disfarça.
Saltemos ao século XXI… Em 2006 (quando o PSDB imaginava que Lula seria derrotado fragorosamente graças ao “Mensalão”), FHC lamentava “a falta que faz um Carlos Lacerda para tocar fogo no palheiro” (leia aqui).

Na falta de um Lacerda de verdade, o PSDB terceirizou (eles são bons nisso): surgiram dezenas de lacerdinhas nos jornais, rádios, TVs e na revista da marginal. São blogueiros e jornalistas que fazem a agitação verbal para o PSDB – reproduzindo o mesmo discurso que hoje escutamos nas ruas: “o PT é uma quadrilha que precisa ser escorraçada”.
Na campanha de 2014, Aécio Neves surfa nessa onda. Aproveita também os erros do PT e – sem programa que não seja arrocho e desemprego – Aécio tenta ganhar a eleição no grito: “Fora, PT”, “abaixo a corrupção”.
No debate da Band, qual foi a grande “sacada’ de Aécio? Dizer que o Brasil vive um “Mar de Lama”.
Hehe… É a mesma palavra de ordem dos que levaram Vargas ao suicídio em 1954. A direita é a mesma.
Só que Dilma não vai meter bala no coração. Não. Dilma disparou de volta, na testa de Aécio.
O rapaz mineiro (que fala em meritocracia, mas vive do que herdou da família) ficou atônito quando Dilma falou nos casos de corrupção do PSDB, e falou no episódio do aeroporto construído dentro da fazenda de um tio de Aécio. Falou também dos casos de nepotismo (Aécio empregou meia dúzia de parentes no governo de Minas).
O rapaz perdeu o rebolado.
Se Aécio fosse um monge budista, ainda assim esse discurso moralista de que “todo o problema do Brasil é a corrupção” não faria sentido (e a desigualdade? e o racismo? e a violência policial? e o poder do sistema financeiro? e o poder da Globo? Nada disso importa, né…).
Mas pior: Aécio não tem moral pra falar em corrupção. Nem em bons costumes. Ele é o típico falso moralista – acusado até de bater na mulher (leia aqui o artigo de Juca Kfouri sobre o caso, que Aécio jamais contestou).
Verdade que o “Mar de Lama”  de Aécio foi parar na capa do “Estadão”.  O combalido diário paulistano vibrou: a Família Mesquita (dona do jornal, apesar de endividada) deve ter achado que voltaram os bons tempos: uma manchete com cheiro de anos 50 - lembrou-me @pedrozm / Pedro Malavolta via twitter (a mensagem dele foi a inspiração para esse texto – clique aqui para ver detalhes).
Com seu “Mar de Lama”, Aécio cheira (ôps) a naftalina. É o passado que volta à cena, com um terno bonitinho e sotaque mineiro.
E o passado precisa ser derrotado de vez.
Dilma, como venho dizendo desde 2010, significa o (re) encontro do PT com o varguismo. Dilma traz a herança  brizolista, trabalhista, foi do velho PDT. Ela se formou nessa tradição.
Se Dilma ganhar (e tem toda as condições pra isso, numa batalha que será duríssima), será a vitória de Vargas contra Lacerda. Só que dessa vez o tiro será disparado contra o outro lado.
Um tiro no lacerdismo rastaquera de Aécio, com seus aeroportos feitos em fazendas da família, com seus parentes no governo, com sua irmãzinha que tenta calar a imprensa.
Lacerda ainda tinha estilo. Aécio só tem a Globo, a Veja e seus lacerdinhas amestrados.
por Rodrigo Vianna, o Escrevinhador

http://linkis.com/revistaforum.com.br/gpAw4


segunda-feira, 16 de junho de 2014

Trajano dá nome aos bois




E eis que José Trajano, da ESPN Brasil, viralizou.

Um vídeo em que ele cita quatro colunistas que instigam ódio circula freneticamente pela internet nestes dias.

Ele enxergou, com razão, uma relação espiritual entre os que xingaram Dilma no estádio e os colunistas que mencionou.

Trajano falou de Demetrio Magnolli, Augusto Nunes, Mainardi e Reinaldo Azevedo, mas poderia falar de muitos outros.

Outro dia li uma expressão do Nobel de Economia Paul Krugman e pensei exatamente no tipo de jornalista da pequena lista de Trajano.

São os “sicários da plutocracia”. São pagos, às vezes muito bem pagos, apenas para defender os interesses de seus patrões.

Os Marinhos, ou os Frias, ou os Civitas, ou os Mesquitas, não podem, eles mesmos, assinar artigos em defesa de suas próprias causas. Então contratam pessoas como as de que Trajano trata.

Muitos leitores, em sua ingenuidade desumana, vêem alguma coragem nos “sicários da plutocracia”.

É o oposto. Ao se alinhar aos poderosos – aqueles que fizeram o Brasil ser um dos campeões mundiais da desigualdade – eles têm toda a proteção que o dinheiro é capaz de oferecer.

Não correm risco de ficar sem emprego, por exemplo. Podem cometer erros grosseiros de avaliação, de prognóstico, de estilo, do que for.

Mesmo assim, estarão seguros porque cumprem o papel de voz dos que podem muito.

Vi em Trajano um desabafo, uma explosão, e entendo por duas razões.

Primeiro, Trajano sempre foi explosivo, temperamental. É um traço seu desde sempre, bem como a paixão pelo Ameriquinha.

Depois, Trajano ecoou um sentimento que representa o espírito do tempo.

Há um cansaço generalizado, uma irritação crescente com os “sicários da plutocracia”. Não apenas pela soberba vazia, pela arrogância de quem sabe que terá microfone em qualquer circunstância, não apenas pela vilania constante.

Mas pela compreensão de que eles representam um obstáculo brutal ao avanço social brasileiro.

Eles estão na linha de frente da resistência a um Brasil menos desigual.

Eles surgem em circunstâncias especiais. Seu papel é minar, perante a opinião pública, administrações populares.

O maior da espécie, Carlos Lacerda, se notabilizou ao levar GV ao suicídio e Jango à deposição.

Eles sumiram nas décadas que se seguiram ao Golpe de 64, por serem desnecessários. O Estado – com os incríveis privilégios e mamatas à base de dinheiro público — estava ocupado pela plutocracia. Já não tinham serventia.

Voltaram quando Lula ganhou, a despeito de todas as concessões petistas fixadas na Carta aos Brasileiros.

Voltaram com o PT, assim como voltariam com qualquer outros partido que representasse ameaça às vantagens de séculos, como livre acesso aos cofres do BNDES e outras coisas do gênero.

Neste sentido, é bom entender que não é algo contra o PT e sim contra o risco, real ou imaginário, do fim das regalias.

Você pode identificar claramente o processo de retorno dos sicários.

O primeiro deles foi Diogo Mainardi, na Veja. Logo depois, também na Veja, mas na internet, apareceu Reinaldo Azevedo.

Não eram conhecidos na elite dos jornalistas, mas ganharam um espaço privilegiado porque se dispuseram a fazer a propaganda, disfarçada de jornalismo, das causas de quem quer que o Brasil continue do jeito que sempre foi.

Aos poucos foram chegando outros, e hoje são muitos.

É um processo curioso: quanto menos votos têm os representantes da plutocracia, mais colunistas da direita vão aparecendo. É como se houvesse a esperança de, uma hora, aparecer um novo Lacerda e resolver o problema.

Mas a sociedade brasileira está cansada de tanta desigualdade, e é difícil acreditar que as lorotas dos sicários vão ter algum resultado parecido com o que houve em 54 ou 64.

O Brasil merece ser uma sociedade nórdica, escandinava, em que ninguém seja melhor ou pior que ninguém por causa do dinheiro, e na qual não haja os abismos de opulência e de miséria.

Os sicários aos quais Trajano se referiu simbolizam o oposto de tudo que escrevi acima.

Desta vez, ao contrário de 54 e 64, não triunfarão – até porque a internet deu voz a quem não tinha e retirou a exclusividade monopolística e predadora dos que favelizaram o Brasil enquando acumulavam fortunas extraordinárias.

por Paulo Nogueira no Diário do Centro do Mundo

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-desabafo-de-trajano/

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Sheherazade e o pobre Justin


Justin Bieber tem vídeo com piadas racistas e menção à ku klux klan divulgado - 1 (© Abaca)





Justin Bieber tem vídeo com piadas racistas e menção à ku klux klan divulgado

Depois de ser chantageado por um homem, Justin Bieber mais uma vez se envolve em polêmica. Nas ultimas semanas o cantor foi ameaçado em US$1 milhão por um homem misterioso que disse ter um vídeo no qual o cantor contando piadas de cunho pejorativo. De acordo com o site "TMZ ", o advogado anônimo procurou os representantes do artista que iria expor o artista para a imprensa, caso o pagamento não fosse efetuado.


Justin rejeitou a oferta, que acabou baixando para US$800 mil após ter o acordo negado. A publicação diz que o homem teria feito uma proposta final de US$500 mil, mas como não teve o pedido aceito liberou a fita na última semana. No vídeo, o cantor aparece aos 15 anos fazendo uma versão racista de sua música "One Less Lonely Girl", dizendo que se matasse pessoas negras poderia entrar como membro na ku klux klan (organizações racistas dos EUA que apoiam a supremacia branca). De acordo com a publicação, Usher , que lançou o artista, teria levado o jovem, na época, até uma sala e lhe mostrado inúmeros vídeos com massacres da organização.


Os advogados declararam que não aceitaram a chantagem pelo fato do cantor já ter sido chantageado outras vezes e também por se tratar de um vídeo antigo. Justin se desculpou publicamente e disse estar muito sentido com a situação. "Eu achei que não tinha problema continuar com as piadas e provocações, o que eu não percebi naquele momento é que já tinha deixado de ser engraçado e meus atos apenas davam prosseguimento a algo ignorante", disse o cantor.


Bieber acumula problemas com a justiça norte-americana. O cantor foi preso pela primeira vez em janeiro deste ano, depois de ser flagrado dirigindo em alta velocidade, com a carteira de habilitação vencida. Recentemente foi acusado por acabar com a fachada da casa de um vizinho, e por agredir em um homem, além de investigado por tentativa de roubo.

Da redação do "UOL": http://entretenimento.br.msn.com/purepeople/C3%justin-bieber-tem-v%C3%ADdeo-com-piadas-racistas-e-men%A7%C3%A3o-%C3%A0-ku-klux-klan-divulgado 

Agora, assista à jornalista da Família, da Higiene (dá pra sentir "daqui" o cheiro de seu Cinema Yves Saint Laurent) e dos Bons Costumes:







quarta-feira, 4 de junho de 2014

Zagueiro dos EUA defende o Brasil de sua mídia


"Ainda não!!!"



É surrealista o que acontece com a Copa no Brasil, na visão da mídia.


Tanto que hoje o ex-zagueiro – e bom zagueiro – da seleção dos EUA Alexi Lalas, um dos destaques da Copa de 1994, ridiculariza a imprensa nacional com sua cobertura sobre a Copa.


Lalas agora é comentarista de futebol e chegou hoje ao Rio.


Está no UOL.


“Em sua conta no Twitter, Lalas falou bem do aeroporto e ainda brincou com a imagem de violência que ficou ligada ao Brasil nos últimos anos. “Dia 1 no Rio. Eu não fui roubado e meus órgãos não foram arrancados”, disse o ex-jogador. Para Lalas, o serviço de desembarque no aeroporto do Rio de Janeiro foi muito bom. “O aeroporto do Rio foi mais rápido e fácil do que qualquer um nos Estados Unidos. Nós pousamos, passamos pela alfândega e pegamos nossas bagagens em 32 minutos”.


Mesmo assim, a idiotice midiática acrescente um “ainda” ao “não foram roubados”.


Lalas dá uma espanada em O Globo, ao replicar ao jornal: “Desculpe. I was just pointing out how perception isn’t always reality. And a World Cup can help change that.”


“Eu estou apenas expondo como a percepção nem sempre é a realidade. E a Copa do Mundo pode ajudar a mudar isto”


Ah, Lalas, vai falando.


A coxinhagem que frequenta o site do UOL já está chamando você de petista e pedindo que espere o segundo dia…


Nem em inglês eles entendem…

por Fernando Brito

do "Tijolaço"

http://tijolaco.com.br/blog/?p=18021

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Brasil 247: O ASSOMBRO DO CRAQUE INIESTA E A INTOLERÂNCIA FASCISTA DAS “ELITES” BRASILEIRAS



Iniesta, um dos craques do Barcelona, igualmente a outras pessoas famosas em suas atividades, diz não compreender tantos protestos no Brasil, porque, para ele, o povo deveria celebrar. O craque afirma essas palavras porque ele, sem sombra de dúvida, não desconhece a atuação da imprensa-empresa que viceja no Brasil, controlada por seis famílias bilionárias, sendo que a família mais rica deste País é composta pelos irmãos Marinho, que juntos têm um patrimônio estratosférico e particular de quase US$ 30 bilhões.

Essas pessoas por serem tão ricas e poderosas economicamente e financeiramente são capazes, por exemplo, de boicotar e sabotar durante 12 anos os governos trabalhistas de Lula e Dilma Rousseff, de carácteres populares e eleitos pelo povo sem a menor preocupação com a estabilidade política e a harmonia entre os Poderes da República. O que está em jogo no pensamento pernicioso e hegemônico dessa gente é a supremacia das classes sociais as quais representam, bem como manter intactos os benefícios e privilégios da Casa Grande, com o apoio incondicional das classes médias tradicionais, de maioria branca, responsável principal pela repercussão dos valores e dos princípios da grande burguesia.

O craque espanhol Iniesta não conhece (e não o critico) a história do Brasil e muito menos a vocação destrutiva, a língua ferina, o preconceito latente e o imenso desprezo que as classes dominantes e, por sua vez, privilegiadas sentem, demonstram e praticam contra o Brasil e a maioria de sua população. Desde que o Brasil conquistou o direito de realizar a Copa do Mundo e também as Olimpíadas aconteceu uma grande festa popular no País, inclusive com o apoio e a cobertura da Rede Globo, que, por exemplo, cobriu jornalisticamente a grande festa que houve nas areias das praias de Copacabana.

Com o passar do tempo e a demonstração de força do crescimento do Brasil, em todos os campos e segmentos econômicos e sociais — uns mais e outros menos —, os magnatas bilionários de imprensa ou de todas as mídias, à escolha, perceberam que apoiar a Copa, celebrá-la e dar um enfoque positivo para tal evento histórico, a ser realizado no Brasil, poderia prejudicar seus interesses políticos. Até porque os econômicos, realmente, vão ser atendidos, pois os lucros gigantescos que essas corporações midiáticas privadas vão auferir é para fazer com que os outros setores da economia sintam inveja e vontade de mudar de ramo.

A verdade é que o jogador Iniesta, instintivamente, sabe que uma Copa é momento de celebração, independente de questões sociais e econômicas que determinado país enfrenta, afinal todas as sociedade e nações enfrentam problemas, inclusive as consideradas ricas e desenvolvidas. Os EUA e os europeus ricos da Europa ocidental realizaram, no decorrer das décadas, inúmeros eventos, e em muitos desses países foram observados pela imprensa e pelos governos atrasos em obras, falhas em determinados setores e, evidentemente, que aconteceram protestos e enfrentamentos entre policiais e manifestantes.

Se algum leitor duvida, que pesquise e verifique. Ponto! Contudo, transformar a Copa de 2014 em um evento desprezível e que por isso não deveria acontecer no Brasil é um desejo de uma minoria radical, insuflada há sete anos ininterruptamente por uma mídia venal e historicamente golpista, que, apesar de encher seus cofres com bilhões de reais por causa dos jogos, considera que desacreditar ou infamar a Copa é a opção plausível para que a direita brasileira, uma das mais perversas do mundo, conquiste pontos junto ao eleitorado desavisado, e, obviamente, conservador.

A imprensa que luta para atrair os incautos e ignaros, principalmente os jovens, que conhecem pouco da história do Brasil e quase nunca estão dispostos a ler, além de se transformar em massa de manobra de uma imprensa burguesa, a que eles têm acesso e que somente ouve um lado, porque tem preferência partidária e cor ideológica. A imprensa-empresa do jornalismo meramente declaratório e evidenciado por intermédio de offs — o que é por de mais questionável. A imprensa alienígena, de péssima qualidade editorial, que se recusa a discutir e a debater o País de forma séria, para que a sociedade brasileira possa crescer e se desenvolver, e, por seu turno, conquistar definitivamente a sua emancipação política e econômica.

Às vezes fico a rir. E explico. É sobre a frase que virou bordão nas redes sociais, na imprensa e nos protestos. "Quero o padrão Fifa!" Não há nada mais ridículo e equivocado. Os grupos de extrema esquerda exemplificados em militantes do PSTU e, principalmente, no que tange aos integrantes do PSOL, além dos Black Blocs, que cometem, sim, senhor, atos de terrorismo — explodir coquetéis molotovs em recintos fechados, públicos e privados, ônibus, ruas e praças ocupadas por pessoas é uma temeridade, além de ser crimes que não deveriam ser tolerados e punidos exemplarmente com a força da lei —, estão a exigir o "padrão" Fifa, juntamente com os coxinhas de classe média, que detestam esses grupos, mas os apóiam pelas redes sociais porque desejam a derrota do PT e do Governo Trabalhista nas eleições presidenciais, que acontecerão em outubro.

Como afirmei antes, o bordão é ridículo e sem sentido, porque a Fifa é considera por essas pessoas, mascaradas ou não, uma instituição corrupta, criminosa, uma verdadeira máfia, que só pensa em lucro, além de não ter quaisquer compromissos com países, governos e sociedades. Enfim, a Fifa é um "covil de ladrões e bandidos", como apregoam esses mesmos grupos radicais e que são financiados pela extrema esquerda, com a participação da direita, que utiliza "seus" meios de comunicação privados (televisões, rádios, internet, redes sociais etc.) para disseminar notícias negativas contra o Governo Trabalhista e apoiar os movimentos de rua.

Uma imprensa comercial e privada detestada pelos movimentos de classe, os sociais e reivindicatórios, que, temendo ser agredida, bem como ouvir palavras de ordem e palavrões resolveu realizar suas coberturas jornalísticas por intermédio de helicópteros, porque sabe e compreende que os mesmos grupos, que atacam o Governo Federal, também conhecem o papel da imprensa corporativa e sectária, que jamais vai estar, de fato, ao lado dos trabalhadores, como nunca esteve em toda sua nada honrada história.

Entretanto, com o propósito de derrotar o Governo Dilma, os magnatas bilionários, além de dar voz às greves de categorias que ocupam as ruas, de forma autoritária, a prejudicar a rotina das grandes e médias cidades, porque a verdade é que as greves se tornaram não mais um meio para forçar o diálogo e conquistar benefícios junto aos patrões e governantes, mas, evidentemente, muitas delas se transformaram apenas em luta política, o que é um erro, sendo que o brado mais ouvido é sobre a queda, a derrubada de governantes eleitos dentro de um processo democrático, a ter a Constituição e as leis eleitorais como inspiração.

Todo trabalhador tem direito à greve. Mas, nem toda greve é direcionada para os legítimos direitos de o trabalhador viver com dignidade e respeito. O que eu mais faço em décadas é defender o trabalhador. Todavia, é visível a intenção de algumas poucas categorias no que diz respeito a paralisar as cidades por meio da ocupação de suas principais vias. Como também é visível, mas nem sempre transparente as ações violentíssimas dos Black Blocs e de grupos menos expressivos no que concerne à violência, a exemplo dos coxinhas fantasiados com máscaras do anonymous, a portar cartazes ridiculamente e que praticamente sumiram das ruas.

E por quê? Porque coxinha gosta de reclamar, falar mal e demonstrar sua violência e seus preconceitos de classe, de credo, de raça e de nacionalidade por intermédio da internet. Lá, o coxinha reacionário, egoísta e presunçoso se agiganta, e, geralmente, de maneira anônima, porque coxinha de classe média que se preza não mostra sua cara, porém, evidencia, com prazer e brutalidade, sua língua ferina, sua mente corrompida e seu coração perverso. O coxinha é o black bloc em online — virtual. Trata-se de um covarde e oportunista. Tanto o é que logo no início das primeiras manifestações de junho de 2013, a classe média tradicional saiu à ruas, a aproveitar a oportunidade que o Movimento Passe Livre (MPL (entidade de esquerda) "proporcionou" a eles.

Explico melhor: quando o MPL saiu às ruas e foi atacado pela polícia, os meios de comunicação privados cobriram o episódio de forma a fazer com que houvesse mais do que uma questão reivindicatória, mas, sim, de ordem emocional. Quando grupos da esquerda radical saíram para apoiar, os coxinhas, antes mesmo de os black blocs aderirem ao movimento, saíram às ruas, com cartazes e algumas máscaras do anonymous. A partir da intervação dos grupos vestidos de preto e mascarados, o pau quebrou.

A classe média que é tão violenta, sectária e reacionária em pensamento e na internet recuou e foi dar continuidade ao que ela já faz há muito tempo, que é xingar, ofender e demonstrar todo seu descontentamento com a ascensão de brasileiros pobres, remediados ou cuja origem é a classe média baixa. Além disso, como já afirmei várias vezes, a classe média tradicional se considera a porta-voz dos valores ocidentais, ou seja, da sociedade estadunidense e dos ricos do Brasil.

Além de ela ser portadora de um incomensurável e inenarrável complexo de vira-lata, a classe média tradiconal se considera também a responsável pelos valores cristãos, apesar de Deus ou Jesus pregarem que a intolerância, o racismo, a violência, o preconceito de classe e o ódio às minorias e aos desiguais e diferentes são pecados, o que, indubitavelmente, não foi compreendido pelos coxinhas, que, no fundo, são ideologicamente mais violentos que os black blocs. Que o digam suas mensagens intolerantes e rastaqueras veiculadas pelas redes sociais. Fascismo na veia. Bingo!

O craque do Barcelona e da Seleção da Espanha, Iniesta, tem razão, mas se ele conhecesse a sociedade brasileira com profundidade não ficaria tão surpreso. Aqui vicejam os que reclamam com a barriga cheia, mas não querem que todos os brasileiros enchem as suas. O Brasil tem uma "elite" acostumada a ter tudo somente para ela e por causa disto não está acostumada a dividir. Apesar dos avanços formidáveis nos últimos 12 anos, ainda somos um sociedade injusta e desigual. Uma Nação que ao mesmo tempo foi vítima e algoz da escravidão de quase 400 anos.

A maioria dos burgueses e dos pequenos burgueses é um retrocesso quando se trata de compreender historicamente e politicamente o Brasil para que se possa construir uma sociedade humanitária e solidária. Eles reagem fortemente mesmo sabendo que dividir, promover a igualdade e a justiça social vai favorecer e beneficiar a sociedade. Sempre me "surpreendo" e fico indignado com tanta intolerância e ausência de senso crítico por parte de grupos sociais que há cerca de 150 anos frequentam as universidades brasileiras e estrangeiras. É um contrassenso total. Iniesta é grande jogador e não compreende. Não poderia ser diferente. Eu compreendo e por isto é mais do que necessário que o campo da esquerda e trabalhista vença as eleições de outubro. É isso aí.

por DAVIS SENA FILHO

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