sexta-feira, 29 de julho de 2016

Fernando Castilho: Poderíamos ser decentes, mas não somos





Após Dilma ter sido INOCENTADA pelo MPF, o Senado agora defende que ela deve ser afastada por uma abstração chamada ''conjunto da obra''.
Nessa caixinha cabe qualquer coisa que se queira colocar dentro dela, inclusive que ela é dentuça.


O motivo alegado pelo Congresso para o impeachment de Dilma foram as pedaladas fiscais.

Ninguém sabia o que era isso. Alguns pesquisaram e descobriram que não eram crimes. Outros se limitaram a repetir como papagaios o que a mídia e os deputados e senadores diziam e passaram a se manifestar como quem é dono da razão.

O tempo passou e os peritos que depuseram no Senado provaram que pedaladas não eram crimes.

O Ministério Público Federal se pronunciou e determinou que não foram cometidos crimes de responsabilidade. Dilma foi INOCENTADA, mas nem por isso o Supremo acabou com a palhaçada. .

Os que juravam de pés juntos que havia crimes se calaram. Mas nunca se envergonharam ou se arrependeram. Nunca admitiram que cometeram uma injustiça.

Agora o Senado encontrou outra forma para prosseguir com o impeachment.

Defende que Dilma deve ser afastada por uma abstração chamada ''conjunto da obra''.
Nessa caixinha cabe qualquer coisa que se queira colocar dentro dela, inclusive que ela é dentuça.

A condenação pelo ''conjunto da obra'' é totalmente inconstitucional pois a Carta Magna prevê que um presidente só pode sofrer impedimento caso haja comprovação de crimes de responsabilidade cometidos diretamente por ele. Não há.

Mas a casa encontrou um artifício para isso.

Agora os senadores alegam que o legislativo tem o direito de fazer um julgamento político.

Ora, se antes havia quem negasse, agora fica totalmente escancarado o golpe.
E esse golpe não é somente contra Dilma ou seu partido, mas sim contra a Democracia.
É muito chato mas é verdade. Se as pessoas que apoiam o golpe tivessem um mínimo de apreço pela Democracia tão duramente conquistada, já teriam parado o Brasil e restabelecido o governo.

Mas não. Democracia é um conceito vago e desprezível para elas.

Preferem ficar escondidinhas, morrendo de medo das medidas totalmente impopulares do vice golpista que as atingirão em cheio também.

Hanna Arendt disse que não há como condenar alguém por omissão, mas há que se lhe dar o desprezo.


Demos o desprezo, então.




Por Fernando Castilho


Texto e foto roubadas, como é praxe, do blog "Análise e          Opinião": http://bloganaliseeopiniao.blogspot.com.br/2016/07/poderiamos-ser-decentes-mas-nao-somos.html?spref=fb

terça-feira, 7 de junho de 2016

Ainda há tempo, coxa!





Email dos Senadores da República (das Bananas).

*o "das Bananas" vai ficar por tua conta...



acir@senador.leg.br

terça-feira, 17 de maio de 2016

Carta de Wagner Moura sobre o MinC que o Estadão recusou-se a publicar


Postado em 17 de maio de 2016 às 2:21 am

Do Blog do Juca, por Wagner Moura: 

Escrevi essa resposta-texto para jornalistas do Estado e da Zero Hora que queriam minha opinião sobre a extinção do Minc. O Zero Hora vai dar. O Estado se recusou.
A extinção do Minc é só a primeira demonstração de obscurantismo e ignorância dada por esse Governo ilegítimo.
O pior ainda está por vir.
Vem aí a pacoteira de desmonte de leis trabalhistas, a começar pela mudança de nossa definição de trabalho escravo, para a alegria do sorridente pato da FIESP, que pagou a conta do golpe.
Começaram transformando a Secretaria de Direitos Humanos num puxadinho do Ministério da Justiça.
Igualdade Racial e Secretaria da Mulher também: tudo será comandado pelo cara que no Governo Alckmin mandou descer a porrada nos estudantes que ocuparam as escolas e nos manifestantes de 2013.
Sob sua gestão, a PM de São Paulo matou 61% a mais.
Sabe tudo de direitos humanos o ex-advogado de Eduardo Cunha, o senhor Alexandre de Moraes.
Mas claro, a faxina não estaria completa se não acabassem com o Ministério da Cultura, que segundo o genial entendimento dos golpistas, era um covil de artistas comunistas pagos pelo PT para dar opiniões políticas a seu favor (?!!!).
Conseguiram difundir essa imbecilidade e ainda a ideia de que as leis de incentivo tiravam dinheiro de hospitais e escolas e que os impostos de brasileiros honestos sustentavam artistas vagabundos.
Os pró-impeachment compraram rapidamente essa falácia conveniente e absurda sem ter a menor noção de como funcionam as leis (criadas no Governo Collor!) e da importância do Minc e do investimento em Cultura para o desenvolvimento de um país. É muito triste tudo.
Ontem vi um post em que Silas Malafaia comemorava a extinção “do antro de esquerdopatas”, referindo-se ao Minc. Uma negócio tão ignóbil que não dá pra sentir nada além de tristeza. Predominou a desinformação, a desonestidade e o obscurantismo.
Praticamente todos os filmes brasileiros produzidos de 93 para cá foram feitos graças à lei do Audiovisual. Como pensar que isso possa ter sido nocivo para o Brasil?!
Como pensar que o país estará melhor sem a complexidade de um Ministério que cuidava de gerir e difundir todas as manifestações culturais brasileiras aqui e no exterior?
Bradar contra o Minc e contra as leis (ao invés de contribuir com ideias para melhorá-las) é mais que ignorância, é má fé mesmo.
E agora que a ordem é cortar gastos, o presidente que veio livrar o Brasil da corrupção e seu ministério de homens brancos, com sete novos ministros investigados pela Lava Jato, começa seu reinado varrendo a Cultura da esplanada dos Ministérios… Faz sentido.
Os artistas foram mesmo das maiores forças de resistência ao golpe. Perdemos feio.
Acabo de ler que vão acabar também com a TV Brasil.
Ótimo. Pra que cultura?
Posso ouvir os festejos nos gabinetes da Câmara, nos apartamentos chiques dos batedores de panela, na Igreja de Malafaia e na redação da Veja:
“Acabamos com esse antro de artistazinhos comprados pelo PT! Estão pensando o que? Acabamos a mamata da esquerda caviar! Chega de frescura! Viva o Brasil!”
Trevas amigo… E o pior ainda está por vir
Do Diário do Centro do Mundo

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/estadao-pede-texto-a-wagner-moura-sobre-o-fim-do-minc-e-se-recusa-a-publicar/

Para o lixo da História



Ricardo Lewandowski;

Cármen Lúcia;
Celso de Mello;
Marco Aurélio;
Gilmar Mendes;
Dias Toffoli;
Luiz Fux;
Rosa Weber;
Teori Zavascki;
Roberto Barroso;
Edson Fachin;


sábado, 16 de abril de 2016

E o STF se ajoelha diante de Cunha.

Comentário ao post "O jurisdiquês como forma de contornar a lógica"
Caramba! Mas o que que foi aquilo, hoje (14)? Mais de cinco horas discutindo as tretas do réu mais poderoso da Casa. De saída fiquei meio confusa, porque o STF já tinha decidido essa questão e o rito seria o mesmo de 92; aí saíram com esse papo de uma lei nova estaria regulando a votação e aí começou o rolo.
O que era pra ter acabado em segundos como voto do min. Marco Aurélio Mello, e, no máximo, fazendo a votação por ordem alfabética que deixaria tudo simples e resolvido. Mas o problema era o de sempre: Cunha; ninguém queria contrariar Cunha. todos os ministros menos Lewandowski e MAM, estavam irreconhecíveis. Pareciam pisar em ovos e muito mais empenhados em encontrar uma solução que não desagradasse Cunha do que em julgar a ADI e os Mandados de Segurança.
A coisa embolou porque todo mundo queria dar um jeito que fugisse da ordem alfabética que Cunha não queria pq não haveria como manipular a votação para produziro efeito manada; o problema é que fora da ordem alfabética tudo ficava confuso, porque Norte e Sul, excluem Centro-oeste e aí aquela coisa de mais ao norte ou mais ao sul, latitude das capitais, etc... venciam um problema e aparecia outro, ia ser por bancada, por deputado, por estado, alternado ou não... Enfim, uma loucura que se Eduardo Cunha cumprisse as decisões do STF teria sido evitada.
Porque o rito já estava definido e a verdade é que Cunha pouco se lixou pra decisão da Corte e mudo meu nome se ele vai começar essa votação pelo Norte no domingo. Ele vai fazer o que quer. O que aconteceu no STF, hoje, foi muito estranho. Parecia que, apenas MAM, Gilmar Mendes e Lewandowski tinham a real noção do estava em jogo.
GM, por óbvio, lutando por seu grupo golpista, junto como PGR e os outros dois fazendo o que dava. O resto, completamente aparvalhado, falando coisa demais embolando teses, não entendendo, explicando, de novo.. Quando tudo parecia terminado com o encerramento da ADI, entram mais 2 MS sobre o mesmo tema e começa tudo outra vez.
O Efeito Cunha na Corte foi devastador. Pra se ter uma ideia, um tema brabo desses e nenhum conflito, discussão ou debate mais acalorado. GM ainda arriscou um cacarejo mas engoliu. A paz de Cunha baixou na Corte e GM nem teve espaço para fazer palanque grande. Palanquinho, ele sempre faz mas hoje, era esperado um palancão, pois o maior bandido da República estava sendo questionado na mais Alta Corte de Justiça do País que, depois de meses se perguntando onde estaria o STF que não travava Cunha, dá de cara com uma resposta que causa mais indignação que a postura de Eduardo Cunha.
O STF não barrou Cunha esse tempo todo, simplesmente porque Cunha não estava fazendo nada demais. É um homem Santo,  tá limpo como dizem aqui na minha cidade, tá na lei... o resto do país é que enlouqueceu. Cunha não manobrou, não viciou a democracia comprando votos, não ameaçou parlamentares, enfim...
O STF não sabe quem é esse Cunha que o Brasil grita FORA!Vão dizer que tudo que pesa contra Cunha não estava em julgamento hoje. O que estava em julgamento hoje era a possibilidade de um bandido/psicopata tacar fogo num país. O que o STF fez hoje, consciente foi empoderar o maior bandido que esse país já viu, por motivos que não me interessam. Fora MAM lutandoo e Lewandowski, visivelmente, constrangido, tentando consertar os vexames da turma, até min. Barroso, sempre tão articulado, tava todo enrolado. O MIn Fachin, é a Rosa Weber de gravata. Putz, tava um horror aquilo hoje.
MAM, salvou o dia e, merecidamente foi parar em 2º lugar nos TT's, só perdendo pro Estado Islâmico que acredita que num país com Globo, Gilmar, Janot, Cunha, Moro MPF, etc..., alguém vai se assustar com as suas ameaças.
Por falar em Moro, outro contra quem  o STF/CNJ também não podem fazer nada porque, assim como Cunha deve estar limpo e dentro da lei, cansado de torturar os reféns que tem sob seu poder , agora vai atrás de idosas. Para atingir JD foi torturar a mãe dele com 94 anos. Vai explicar o que aconteceu à uma senhora na idade dela com o filho preso....
O dia de hoje foi bom pra militância perceber que está por conta própria. Precisamos ampliar os Atos de sexta/sab/dom e pressionar o congresso. Perder no domingo não é uma opção e, muito cuidado com os confrontos porque não vai ter justiça pra vermelho por aqui tão cedo.
Na AP 470, os réus, Dirceu, Genoíno, Delúbio, Pizzolato, diziam pra gente, não avacalhar o Judiciário pq não existia República sem Judiciário. O STF hoje, mostrou que existe sim.

do CGN 
http://jornalggn.com.br/noticia/o-efeito-cunha-no-comportamento-dos-ministros-do-stf-por-cristiana-castro

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Beto Richa inaugura mais uma obra do governo federal no PR.




Amparado por um forte esquema policial, o governador Beto Richa (PSDB), que fechou escolas estaduais, inaugurou uma escola federal nesta quinta-feira (25) construída com recursos do governo federal. Centro Estadual de Educação Profissional Ozório Gonçalves Nogueira foi construído graças à emenda parlamentar do deputado federal João Arruda (PMDB); parlamentar, que é da base de sustentação da presidente Dilma Rousseff (PT), informou que a nova escola terá capacidade para atender 1.200 alunos.

O governador Beto Richa (PSDB) foi alvo de mais um ensurdecedor protesto de professores, nesta quinta-feira (25), no município de Bandeirantes, Norte Pioneiro, durante inauguração de uma escola construída com recursos federais. “Richa fecha escolas estaduais, mas inaugura escolas federais”, dizia uma das faixas, que sintetizava o motivo da mobilização desta manhã.
Um aparato policial jamais visto na região dava segurança à comitiva do tucano, que teve de ficar por ‘detrás das grades’ de proteção. Os manifestantes foram impedidos de se aproximarem da tenda levantada para abrigar os comissionados da Prefeitura e do governo do estado.

do Cumbuca Site

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Sérgio Moro, o PT e o Caso Dreyfus




Parece um roteiro pré-determinado. Sergio Moro lidera um espetáculo midiático na quinta-feira, com tempo de pegar os políticos de oposição ainda em plenário. Na sexta-feira, a bomba vai para a manchete de todos os jornalões. No sábado, para as revistas semanais. No domingo, chega ao Fantástico.
E assim a semana se inicia sob fortíssimo bombardeio midiático.
Ninguém se preocupa com um detalhe: a delação premiada deveria ser feita em sigilo absoluto, exatamente para não permitir que bandidos confessos se utilizem desse instrumento para se vingar de seus desafetos, ou pior, exercer ou traficar influência política.
Ao invés de me torturar lendo os espasmos golpistas dos jornalões, passei a noite e a manhã de hoje, lendo um capítulo do livro As Origens do Totalitarismo, de Hannah Arendt. É o capítulo que fala do Caso Dreyfus, o oficial judeu condenado pela Justiça Francesa por alta traição, mas que era inocente.
Há muitas semelhanças. Eu já havia abordado o caso Dreyfus ao discutir o caso Pizzolato, o petista do Banco do Brasil condenado no mensalão por algo que não fez, não podia ter feito, não tinha sequer instrumentos para fazê-lo.
Hoje eu vejo que o verdadeiro Dreyfus contemporâneo não é Pizzolato, mas o PT.
Arendt aponta o caso Dreyfus como uma das feridas nunca totalmente fechadas da história política e judicial da França, e que serviriam de caldo cultural para a explosão do nazismo europeu.
Assim como o mensalão e agora o petrolão, o caso Dreyfus envolveu uma conspiração entre mídia e judiciário.
A mídia francesa da época, assim como a brasileira, atiçou todos os preconceitos e rancores do populacho (mob, em inglês) contra Dreyfus e seus defensores, que de início eram uma minoria ilustre.
Também a França vivia sob o impacto de um grande escândalo de corrupção no parlamento: o escândalo do Canal de Panamá.
Um jornal reacionário e antissemita alcançara uma tiragem recorde após denunciar o clamoroso escândalo de propinas pagas a parlamentares e lobistas, como “comissão” aos financiamentos que o Estado francês dava à Companhia do Panamá.
Igualzinho hoje. A Companhia do Panamá era um pool de empreiteiras, que viviam do dinheiro do Estado, assim como as nossas. Para ser justo, assim como todas as empreiteiras do mundo.
Os deputados franceses haviam encontrado os métodos que deveriam pôr em prática. Nas palavras de Arendt: “a política correta era a defesa de interesses particulares e corporativos, e o método adequado seria a corrupção. Em 1881, a tramoia tornou-se a única lei”.
Entretanto, não foram os deputados que tomaram a iniciativa de usar o caso Dreyfus como uma estratégia de poder. Eles surfariam na onda, satisfeitos de ver a atenção pública olhar para outro lado. A mesma coisa vale para a maioria dos nossos corruptos. É reconfortante para eles ver a mídia apontando o dedo apenas para o PT.
No caso dos empreiteiros presos, o juiz já sinalizou: apontou o dedo para o PT, está solto. Não apontou: prisão por tempo indeterminado, com ameaças veladas contra toda a família.
Na França, o golpe contra Dreyfus veio dos estamentos burocráticos e meritocráticos, onde a elite descendente do ancien regime, falida pelas revoluções, havia se refugiado, e onde procuravam se vingar pela perda de seus privilégios. No caso francês: o exército e o judiciário. No Brasil, o MP, PF e Judiciário, também histórico refúgio de antigas e decadentes elites nacionais.
A mídia, como sempre, cumpriu o papel de instrumento da classe dominante, ontem e hoje. A Companhia de Jesus, os jesuítas, que dominavam o alto clero da época, foi a principal articuladora política do movimento contra Dreyfus. Nossos “jesuítas” de hoje são os tucanos e moralistas de ocasião da mídia.
Arendt lembra que os socialistas demoraram a se enfileirar ao lado dos “dreyfusard” (os que defendiam Dreyfus), e mesmo assim vieram divididos, porque viam nisso apenas uma escaramuça da alta burguesia.
Apenas quando Clemenceau convenceu o grande líder socialista Jean Jaurès, de que a injustiça praticada contra um era uma injustiça contra todos, é que este último aderiu à causa, e mesmo assim, não com os argumentos que, segundo Arendt, seriam os mais corretos, a defesa da justiça e da dignidade humana, mas com argumentos classistas, visto que aristocracia e alto clero lideravam o movimento contra Dreyfus.
O erro dos socialistas franceses me parece o mesmo cometido pelo PT, por ocasião do mensalão.
E a mesma desconfiança dos trabalhadores franceses, contra um problema que parecia se limitar a uma divergência doméstica das classes dominantes, vimos também surgir entre os petistas e na esquerda em geral, quando estes se defrontaram com a Ação Penal 470 e, agora, com a Operação Lava Jato.
Tanto o mensalão quanto o petrolão levaram figuras dominantes da política e do capital à cadeia.
O que foi vendido pela mídia brasileira como um “avanço” democrático, não passa de uma tática recorrente do arbítrio para empolgar o populacho, desde os primórdios da história. Todas as ditaduras, explícitas ou disfarçadas, fazem isso.
É o que tentam fazer agora novamente.
As próprias elites entendem que é preciso sacrificar alguns de seus mais queridos empregados, a fim de assegurar o poder no longo prazo.
Por ocasião do julgamento da Ação Penal 470, os colunistas da grande mídia, e depois até mesmo alguns ministros do supremo, batiam na tecla que não era possível decepcionar a expectativa da “opinião pública”.
Sequer escondiam a descarada solapagem do Estado Democrático de Direito, em nome de uma vulgar e covarde rendição a um populacho manipulado pela mídia.
Arendt explica a diferença entre esta “opinião pública”, ou “populacho”, e o povo propriamente dito. O populacho é a representação dos setores frustrados de todas as classes sociais. Pobres, classe média e ricos insatisfeitos com a representação política, prontos a aderirem a qualquer aventura golpista: este é o populacho de todas as eras. Eles têm uma opinião instável, cambiante, mas com uma propaganda bem planejada, é possível orientá-lo na direção certa, enquanto este for útil.
Não é difícil para a mídia, num segundo momento, descartar o populacho, com desprezo, tratando-o como uma massa desorganizada e inculta.
Onde estão os protestos inflamados de juristas e ministros do supremo contra as arbitrariedades da polícia?
Quando prenderam Daniel Dantas, e a PF começou a realizar uma série de operações para combater sobretudo crimes financeiros e sonegação (Daslu e automóveis de luxo, lembram?), um grito desesperado tomou conta das elites, através da mídia: é o Estado Policial!
Gilmar Mendes aparecia diariamente nos jornalões para bradar contra isso, e até mesmo urdiu uma trama, em parceria com o senador Demóstenes Torres (mais tarde defenestrado por corrupção), para inventar um grampo de seu telefone, e criar um escândalo que iria derrubar o diretor da Polícia Federal, Paulo Lacerda.
A derrubada de Paulo Lacerda representa um momento chave da política brasileira contemporânea, porque, aparentemente, é a partir daí que a Polícia Federal toma um caminho diferente: ao invés de investigar a sonegação das grandes empresas, que contam com a cumplicidade da mídia (também grande sonegadora, como vimos), a PF voltou suas baterias contra agentes do Estado. E aí ela, a PF, passa a contar com entusiástica cumplicidade da mídia.
Não há nada de errado na PF se voltar contra agentes do Estado. Ao contrário, é até saudável.
Errado é a PF entrar no jogo da mídia, promovendo vazamentos seletivos e espetáculos que visam apenas interferir no debate político-partidário.
Também já especulei sobre a tendência do Ministério Público em desenvolver um sentimento de oposição ao Executivo – um sentimento que é primo de seu orgulho corporativo.
Entretanto, se o Executivo não reage, tanto a PF quanto o MP avançam o sinal, e transformam-se em instrumentos de arbítrio, sob forte influência da mídia.
*****
Para piorar o quadro, o governo permanece num silêncio aterrorizante.
Uma mera intervenção oral de Dilma, ou de seu ministro da Justiça, nem que fosse para pontuar o debate com algum comentário irônico ou crítico sobre a violência judicial cometida contra o tesoureiro de seu próprio partido, João Vaccari Neto, ajudaria a dar algum equilíbrio à crise política.
(PS: Menos mal que o ministro da Comunicação, Ricardo Berzoini, manifestou-se sobre o tema).
Mas essa postura vem desde a Ação Penal 470. Ao sacrificarem Henrique Pizzolato, por exemplo, o partido sacrificou o próprio Estado de Direito.
Assim como Dreyfus era ridicularizado por seus adversários, e mesmo por seus amigos, porque ostentava arrogantemente a riqueza de sua família e a quantidade de dinheiro que gastava com mulheres e bebidas, assim os “amigos” de Pizzolato se negaram a defendê-lo porque ele usava “ternos caros”, gravatas borboleta, e conseguira juntar dinheiro para comprar imóveis.
A AP 470 fez escola. O “Estado de Direito” começou a ruir ali, e não agora, com o depoimento “coercitivo” de João Vaccari Neto.
Todos os métodos usados na frente midiática durante o mensalão estão sendo repetidos agora. Os jornais criaram uma nova alcunha, o “petrolão”, que já se tornou aba ou chapeu em todos os portais.
Jamais a nossa mídia criou alcunha ou abas editoriais para a compra de votos para a reeleição de FHC, para o trensalão, para o Banestado, ou pelo menos nada que durasse muito.
*****
O PT anuncia que “entrará na Justiça” contra Pedro Barusco, pela denúncia contra o partido.
Está certo, tem que fazer isso mesmo.
Porém mais uma vez o partido foge da política, única instância onde é um protagonista, e tenta se refugiar sob as asas do judiciário, onde a mídia tem mais influência.
A política é o único palco onde o PT pode ganhar, porque é a legenda com maior número de filiados no país, várias vezes superior a todas as outras. Seus presidentes, sobretudo Lula, ainda são as figuras públicas mais populares da nossa história, até hoje. É o partido com maior número de deputados na Câmara Federal. O partido que tem mais ministros, incluindo o Ministério da Comunicação e da Justiça. Tem a presidência da república. É o único partido que tem uma militância orgânica de massa, real e digital.
Por que o PT foge da luta política?
A impressão que eu tenho é que o PT esqueceu o que é fazer política.
Até mesmo alguns militantes esqueceram o que é fazer política. Alguns falam, incluindo Lula: temos que ir às ruas, como se bastasse vagar perdido por aí, sem saber o que dizer, para obter qualquer resultado prático na política.
A política, numa democracia, é, antes de tudo, uma luta intelectual, que deve ser travada através da persuasão.
Para isso, é preciso investir em cultura.
Somente a cultura pode salvar a política brasileira.
A cultura é o deus ex-machina que pode nos salvar da barbárie para onde a mídia está nos arrastando.
Por exemplo, nos EUA, existem centenas de filmes e livros sobre os arbítrios da mídia. A começar pelo primeiro filme do cinema moderno: Cidadão Kane, uma terrível denúncia contra o monopólio e a concentração de poder em mãos de poucos.
Aqui, são raríssimos as obras de arte que abordam a questão da mídia, apesar dela ser, desde os anos 50, o principal ator político do país.
A campanha contra a criação da Petrobrás, o suicídio de Vargas, as marchas da família, o golpe de 64, a sustentação da ditadura, o poder das oligarquias nordestinas, o antipetismo do sudeste, mensalão, petrolão, a mídia é sempre o protagonista.
Por que não são escritos ou filmados livros, séries, filmes, novelas sobre o tema?
Por que o governo, principal patrocinador da cultura, nunca abriu editais voltados especificamente para a crítica de mídia?
Alô, Juca, agora não podemos mais perder tempo!
O governo, por sua vez, encontra-se paralisado, indeciso, com o pior sistema de comunicação dentre todos os poderes.
O Legislativo, Câmara e Senado, tem ótimos portais, com várias TVs, e os próprios parlamentares agem como porta-vozes de si mesmos.
O MP criou até uma historinha do mensalão para crianças…
Já o Executivo tem uma comunicação dispersa, fragmentada, negligente.
Todos os presidentes da república, em todo mundo, externam pontos-de-vista e intervêm constantemente no debate político. Falam e escutam, junto com seus ministros. Aqui, não.
Há dias em que os únicos representantes do Estado que falam de política na mídia são ministros do Supremo, ou seja, justamente aqueles que são proibidos pela Constituição de exercer atividade politico-partidária.
E agora toda a política nacional volta a girar em torno de um juiz tratado como heroi pela mídia – já ganhou até o prêmio da Globo – e cercado por todos os lados de conspiradores golpistas.
A democracia brasileira se vê, mais uma vez, a mercê de arbítrios judiciais e conspirações midiáticas.
O problema da política é a sua dinâmica desesperada. Tudo acontece rápido demais para que o bom senso prevaleça.
A análise ponderada, objetiva, fria dos fatos, nunca chega a tempo, de maneira que os homens se tornam como que cobaias de si mesmos. No médio e longo prazo, as coisas tendem a se equilibrar, mas quantas revoluções, guerras, tragédias, golpes, não foram necessários para chegarmos onde chegamos?
Enfim, dá vontade de forçar o relógio da história em alguns anos, quiçá décadas, para vermos logo o que será do país quando as novas gerações, mais saudáveis, mais bonitas, melhor alimentadas, mais escolarizadas, mais livres, tão distantes da neurastenia forçada e hipócrita do antipetismo midiático, ainda mais distantes desse conservadorismo quase sociopata de alguns medalhões do jornalismo, o que será do Brasil quando esta geração tomar o poder?
(Este texto foi encontrado na caixa de comentários do TIJOLAÇO (http://tijolaco.com.br/blog/globo-mandou-remover-todas-citacoes-a-fhc-em-reportagens-sobre-lava-jato/). A matéria é do ano passado, contudo, atualíssima, trata da conivência midiática com o tucanato e a burguesia brasileira. Mais precisamente, o comentário trata, inicialmente, da intimação e depoimento de Vaccari a Sérgio Moro. O autor, Andre, não foi encontrado).
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